O que mudaria nas eleições de 2014 se o “distritão” já existisse naquela disputa?

Menos de 9% do atual quadro da Câmara dos Deputados seria “novo”. Em cinco estados, os eleitos seriam os mesmos. Articuladores importantes do governo Temer, no entanto, não estariam ocupando a vaga que ocupam  Por...

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Menos de 9% do atual quadro da Câmara dos Deputados seria “novo”. Em cinco estados, os eleitos seriam os mesmos. Articuladores importantes do governo Temer, no entanto, não estariam ocupando a vaga que ocupam 

Por Redação 

Na madrugada da última quinta (10), em votação da comissão especial da Câmara que analisa a Proposta de Emenda Constitucional sobre a reforma política, foi aprovado o chamado “distritão” . O texto original da PEC 77/03, de relatoria do deputado Vicente Candido (PT-SP), não previa este item, que foi posto em votação como um destaque proposto pelo PMDB – e acabou vencendo, por 17 votos a 15.

O “distritão” é o sistema onde são eleitos os deputados com mais votos, como nas disputas majoritárias – para presidente, governador ou prefeito. Desta forma, é ignorado o peso dos votos que cada partido ou coligação conquistaram nas urnas. Entretanto, para que possam valer já nas eleições de 2018, essas mudanças precisam passar – até setembro – pelos plenários da própria Câmara e do Senado.

Mas o que mudaria caso esse sistema estivesse em vigor nas eleições de 2014? Muito pouco. Teríamos apenas 44 cadeiras “novas” da Câmara dos Deputados – o que revela um índice de 8,5% de mudança em relação aos que foram eleitos no modelo atual de voto proporcional.

Nos estados do Acre, Amazonas, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte tudo ficaria como está. Minas Gerais, com cinco novos deputados, e São Paulo, com nove, seriam os que mais mudariam seus representantes. Por maioria de votos, os paulistas teriam eleito Netinho de Paula (PCdoB-SP, atual PDT-SP) e deixado Sérgio Reis (PRB-SP) de fora.

Em termos de influência, quem mais perderia com isso seria o presidente Temer, já que um de seus principais articuladores não teria sido eleito. O deputado Beto Mansur (PRB-SP), atual vice-líder do governo, terminou a disputa daquele ano com pouco mais de 31 mil votos, insuficientes para ficar entre os primeiros de São Paulo. Outra peça importante do governo também teria ficado de fora. Atual ministro do Trabalho, o deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS) somou 77 mil votos na ocasião.

Quando o assunto passa a ser bancada, o PMDB seria o maior beneficiado, com cinco cadeiras a mais. O partido de Temer se manteria em segundo lugar, mas diminuindo a diferença de quatro para um em relação ao PT, que seguiria com o maior número de representantes na Câmara. O PSDC seria o único partido, dos que elegeram deputados, a ficar sem nenhuma vaga.

Ainda neste final de semana, Fórum traz as análises das mudanças em cada estado.

Fonte: dados oficiais do TSE sobre as eleições de 2014

Foto: Elza Fiúza/ ABr



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