Lula se compara a Messi e Cristiano Ronaldo

O ex-presidente criticou João Doria e disse que o prefeito de São Paulo precisa mostrar serviço e que ele "faz tipo, como se fosse um cara de novela".

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O ex-presidente criticou João Doria e disse que o prefeito de São Paulo precisa mostrar serviço e que ele “faz tipo, como se fosse um cara de novela”.

Da Redação*

Para criticar o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva usou como exemplo dois dos principais astros do futebol mundial. “Ele (Doria) tem um papel a seguir. O papel dele é o seguinte: eu vou atacar o Messi ou Mascherano no Barcelona? Vai no Messi! Vou atacar o Sergio Ramos ou Cristiano Ronaldo no Real Madrid? Ele pega a pesquisa – e é isso que deixa essas pessoas loucas. Eu estou apanhando quem nem cachorro vira-lata, e quando esses caras têm uma pesquisa, eu estou na frente na espontânea, na estimulada, ganho no primeiro, ganho no segundo turno, ganho de todos juntos”, disse Lula, em entrevista nesta sexta-feira (18) à rádio Metrópole, em Salvador.

Lula deu a partida, nesta quinta-feira (17), à viagem que prevê visitas a 25 cidades dos nove estados do Nordeste, em evento batizado de “Caravana da Esperança”. O tucano também tem participado de eventos no Nordeste e atacado o petista. Segundo Lula, é preciso que Doria mostre serviço como gestor público antes de pensar numa candidatura à presidência. O prefeito paulistano é cogitado por políticos como opção do PSDB para concorrer ao Planalto.
“Esse homem saiu do nada para ser presidente da Embratur, depois teve um programa de TV, não sei qual canal porque não assistia, e virou empresário. O maior prazer que teria é se ele cumprisse tudo com São Paulo que ele falou. Só isso! Ele tem primeiro que provar. Uma coisa é dizer sou gestor de uma empresa, outra coisa é gerir uma cidade, um país”, afirmou. Ele “faz tipo, como se fosse um cara de novela”.

Dilma

O ex-presidente também reconheceu que Dilma Rousseff (PT) errou, ao não indicar o nome de Henrique Meireles como ministro da Fazenda em 2015. À época, Dilma optou por Joaquim Levy. Meirelles assumiu a pasta no governo de Michel Temer (PMDB). “Meireles é um homem de mercado, e quando aceitou ser meu presidente do Banco Central, ele tinha sido o deputado federal mais votado do PSDB de Goiás. E eu convenci, aliás, foi o Aloízio Mercadante e o [Antônio] Palloci em Nova York, e devo muito a ele pela lealdade. E eu dizia para Dilma que o Meirelles precisava de orientação. Se der, ele vai cumprir. Ele tinha confiança do mercado e tinha saído testado e aprovado do meu governo. Mas não sei por que ela escolheu o Levy”.

Lula ainda tentou explicar o motivo dos resultados ruins da economia a partir de 2015 e que culminaram com a saída da Dilma do poder. “Para que a Dilma continuasse pagando todos os benefícios, pagasse o ‘Minha Casa, Minha Vida’, o fez? Para garantir a economia, fez muita desoneração, foram R$ 547 [bilhões] ou R$ 528 bilhões. Foi dinheiro que deixou de arrecadar, que ficou na mão do empresariado, e ninguém agradece. E quando a Dilma percebeu estava saindo mais dinheiro que entrando, que ela fez? Preparou uma reforma e mandou para o Congresso, e o Eduardo Cunha não deixou votar”, disse.

O ex-presidente ainda relembrou o caso do governo Fernando Henrique Cardoso, que teve reformas votadas pelo Congresso. “O FHC, quando era presidente, fez uma proposta de ajuste, e o Temer era presidente da Câmara, e o que ele fez? Colocou para votar, e o Cunha não botou. Não deu para Dilma fazer o ajuste necessário, e essa é a razão pelo qual a coisa desandou”, explicou.

Questionado se não se arrependia de ter indicado Dilma candidata em 2014, disse que não. E ainda admitiu que setores do PT o pressionaram para que fosse candidato no lugar dela. “A Dilma não pediu para ser candidata, eu que indiquei. Se ela tivesse me procurado, dito que não queria, que eu poderia ser, aí era outra história. Mas, como ela não falou, entendi que ela seria candidata à reeleição e caberia a mim ajudar”, afirmou.

Lula ainda disse que o primeiro governo de Dilma foi bom e terminou com bons índices. “Temos de separar a relação política da Dilma do trabalho gerencial. Em dezembro de 2014, depois da Dilma ter ganho, o Brasil tinha 4,5% de desemprego, o menor da história. É padrão Suíça, Suécia, Dinamarca”, disse.

Perguntado se teria um nome caso não possa ser candidato, despistou. “Aí, volto a ser técnico: só na hora de entrar em campo que falo. Se eu for candidato, é para ganhar. Se não for candidato, serei o cabo eleitoral mais valioso desse país”.

*Com indicações do UOL

Foto: Felipe Araújo/Fotos Públicas



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