Lula: “Se não me condenarem em segunda instância, o golpe não fecha”

Ex-presidente disse que a Lava Jato está virando um partido político. "Se eu voltar em 2018, vou voltar mais forte. Eles sabem que sou capaz de envolver toda a sociedade brasileira e resolver o problema do país".

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Ex-presidente disse que a Lava Jato está virando um partido político. “Se eu voltar em 2018, vou voltar mais forte. Eles sabem que sou capaz de envolver toda a sociedade brasileira e resolver o problema do país”.

Da Redação*

Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o objetivo de sua eventual condenação em segunda instância é concluir o golpe, que começou com a derrubada da presidenta Dilma Rousseff. “Deram um golpe, colocaram o Temer e o Brasil afundou”, disse o ex-presidente. “Não fizeram isso para o Lula voltar e eles sabem que eu sei como consertar esse país”. Ele prometeu retomar investimentos para “a roda da economia voltar a girar”, declarou, em entrevista concedida na manhã desta sexta-feira (18), ao jornalista Mario Kertész, da rádio Metrópole de Salvador.

Lula voltou a defender sua inocência nas ações penais da Lava Jato. “Deram um golpe, colocaram o Temer e o Brasil afundou”, disse. “Eles vão ter que se explicar para a sociedade. Eu quero estar vivo para ver qual é a explicação deles. A Lava Jato está virando um partido político e tem espaço garantido na televisão. Se eu voltar em 2018, vou voltar mais forte. Eles sabem que sou capaz de envolver toda a sociedade brasileira e resolver o problema do país”, afirmou.

Antes disso, na noite de quinta (17), Lula foi a estrela do lançamento da nova fase do Memorial da Democracia, construído em parceria com o Projeto República, da Universidade Federal de Minas Gerais e lançada na Arena Fonte Nova, em Salvador. Participaram importantes lideranças do PT e representantes de diversas entidades e legendas, como PCdoB, UNE, MST e CUT.

O ex-presidente chegou a Salvador no início da tarde e participou de uma maratona em que uma multidão o cercou por onde passou, desde sua chegada, passando pelo metrô, até chegar à Fonte Nova. Sobre a caravana por nove estados do Nordeste, no projeto “Lula pelo Brasil”, afirmou: “Quero andar pelo país para contar ao povo o que está acontecendo”.

Ele se mostrou consciente de ser a liderança capaz de neutralizar as informações mal-intencionadas da mídia tradicional, capitaneada pela família Marinho desde o início do processo do “mensalão” em 2005. “Não é possível que esse povo se informe pela Rede Globo de Televisão”, disse. “Não sou nenhum revolucionário, sou um despertador de consciência”.

Eleição

O ex-presidente mencionou 2018, mas não foi conclusivo sobre sua própria candidatura. “Este país tem que se preparar, porque em 2018 tem que colocar uma pessoa democrata para governar, e a gente tem que começar a se organizar já. Vocês sabem que ainda falta muito tempo. Não existe candidato, mas nós saberemos quem é o candidato na hora certa”, afirmou. E mostrou disposição incomum para quem é diuturnamente perseguido pelo Judiciário e pela mídia. “Tô com 71 anos, mas com vontade de lutar como se tivesse 30”.

Segundo Lula, os governos do PT e a democracia têm raízes no país. “A ideia da liberdade, da democracia, da participação social é muito forte. Não adianta achar que acabando com Lula acaba com isso”. Acusou os golpistas de “truncarem a democracia”, ao derrubar, Dilma e prometeu: “Vocês vão pagar com a mesma moeda o que fizeram com a democracia brasileira. E em 2018 a gente vai eleger uma pessoa democraticamente”.

Em noite em que o tema era a memória, assinalou: “É importante reconstituir a história, porque a história é contada pelos dominadores, a gente aprende a história que os dominadores quiseram”, disse. “Os que deram o golpe de 64 nunca aceitaram a palavra golpe, diziam que vieram pra consertar o Brasil, que estava sendo entregue aos comunistas”.

Lula convidou o presidente Temer a se retirar da presidência da República. “Tem mais gente na rua hoje do que quando eu cheguei na presidência”, disse. “Se um governante não tem competência pra resolver a crise e começa a vender o patrimônio deste país, esse governo tem que pedir desculpas e ir embora, porque não serve para governar”. E ironizou o prefeito João Doria: “Se o prefeito de São Paulo já invadiu a Cracolândia, imagina se fizermos um Museu da Democracia na Cracolância”. Foi uma referência à interdição, por ação do Ministério Público, que moveu ação contra a cessão de um terreno municipal no centro de São Paulo para a construção de um museu que o MP afirmou que serviria para “divulgação da imagem” de Lula.

Assista à entrevista na íntegra:

*Com informações da RBA e do Brasil 247

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Fotos Públicas



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