Personalidades femininas em releituras fotográficas

Campanha para publicar o livro 100 Mulheres Cabulosas vai ocupar as redes sociais por 100 dias com imagens e trajetórias de 100 mulheres que marcaram e marcam a história.

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Campanha para publicar o livro 100 Mulheres Cabulosas vai ocupar as redes sociais por 100 dias com imagens e trajetórias de 100 mulheres que marcaram e marcam a história.

Da Redação

Faltam 100 dias para terminar o financiamento coletivo para a publicação do livro fotográfico 100 Mulheres Cabulosas. Nesse período, serão publicados vídeos e fotos, um por dia, com imagens e histórias de mulheres do passado e do presente. A campanha, no Catarse, vai de 18 de agosto a 25 de novembro e objetiva uma tiragem de 2 mil exemplares, que serão lançados pela Editora Expressão Popular no início de 2018. Parte dos livros será doada a bibliotecas, escolas e centros culturais. O projeto já recebeu apoio de artistas e intelectuais, como Elza Soares, Ana Canãs e a ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Meniccuci.

Produzido pelo Levante Popular da Juventude, o projeto resgata a história de personalidades femininas com releituras fotográficas. As integrantes do movimento social interpretam nomes conhecidos como Anne Frank, Elis Regina, Frida Kahlo, Maria Bonita e Nina Simone, entre outras.

O objetivo do projeto não se restringe a figuras que tiveram destaque em nossa história, mas, também, dar visibilidade àquelas que foram fundamentais na história da humanidade e não tiveram o merecido destaque. Margaret Hamilton foi uma delas. Cientista estadunidense, foi diretora do Laboratório de Instrumentação do MIT, que desenvolveu o programa de voo usado no Apollo 11, a primeira missão tripulada à lua. Seguindo uma trajetória diferente, Carolina Maria de Jesus foi moradora da favela do Canindé, zona norte de São Paulo. Registrou o cotidiano da cidade através do seu olhar como catadora de lixo. Atualmente, é considerada umas das mais importantes escritoras negras do Brasil.

Contra o retrocesso

“Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida”. Essa frase é de autoria de mais uma “cabulosa” retratada no livro, a filósofa francesa Simone de Beauvoir, uma das maiores referências na literatura feminista mundial.

“Apesar de ter sido escrita em outro período histórico, a frase nunca foi tão atual”, entende Isis Medeiros, fotógrafa e uma das idealizadoras do livro. A militante explica que o golpe, que retirou a primeira presidenta do país – Dilma Rousseff -, é uma grande ofensiva contra os direitos conquistado pelas mulheres nos últimos anos. “A crise política e os retrocessos na vida das mulheres se intensificaram com o golpe sofrido pela primeira mulher democraticamente eleita em nosso país. Além de formar um ministério apenas com homens, o atual governo fechou secretarias de políticas para mulheres e é responsável pelo aumento exponencial do desemprego, o que leva as mulheres de volta ao lar e, consequentemente, à dependência em relação aos homens”, analisa Isis.

Para enfrentar esses retrocessos, 100 Mulheres Cabulosas pretende utilizar a reta final da campanha para trazer exemplos que possam contrapor esse cenário. Dentro desse processo, serão realizadas quatro rodas de conversa, com transmissão ao vivo, para debater os atuais desafios das mulheres no país.

Assista ao vídeo da campanha:

Foto: Divulgação



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