Haddad descarta ser o plano B do PT em 2018

O ex-prefeito de São Paulo acredita que a legenda precisa encabeçar a chapa presidencial para se reerguer depois de um período de desgaste, com o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.

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O ex-prefeito de São Paulo acredita que a legenda precisa encabeçar a chapa presidencial para se reerguer depois de um período de desgaste, com o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.

Da Redação*

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, nome citado com frequência como possível plano B do PT, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de concorrer à eleição em 2018, pelo menos por enquanto, descarta essa possibilidade. “Essa discussão não está colocada. O Lula tem muito apreço pelo meu trabalho como ministro da Educação. Perguntado, ele respondeu que temos quadros e me citou como exemplo. Isso gerou especulações, mas esse é o único fato concreto que deu margem a isso. Internamente, não discutimos sobre, nem discutiremos”, afirmou.

Ele acredita que o Partido dos Trabalhadores encabeçará a chapa para a eleição presidencial. “O que eu ouço na base do partido é que a gente tem que ter um candidato para se reerguer. Tem que ser do PT. As pessoas desejam que o PT tenha candidato em qualquer hipótese”, avalia, mesmo na hipótese de a legenda não poder contar com Lula. “O PT tem votos. Não é maior que o Lula. Já foi um dia, mas o Lula se tornou maior. É natural que isso aconteça quando você ganha a eleição. O PT pode ter o tamanho do Lula? Na largada, não, mas o PT não vai ter menos de 20% de intenções de votos”. Sobre uma possível aliança com Ciro Gomes, Haddad elogiou o pedetista. “É um excelente quadro político, tem o país na cabeça, mas espero que o Lula seja candidato”.

O ex-prefeito de São Paulo acredita que a peregrinação que Lula vem fazendo pelo Nordeste não é, necessariamente, em busca de votos para 2018. “O Lula, neste momento, tem duas tarefas: a questão da honra dele, que não tem a ver, especificamente, com a campanha. Não fossem esses processos, talvez isso não se fizesse necessário. Quando você é atacado na honra, é uma situação diferente dos demais candidatos. A caravana tem a ver com o que o Lula fez no passado. A ideia é que, se você não deve, não tem que temer estar no espaço público com as pessoas”, acredita.

A necessidade que o PT tem de se reerguer, segundo Haddad, se passa pela discussão interna sobre o momento de polarização na política nacional. “Vai haver uma discussão difícil de ser feita, mas em dois planos completamente diferentes, e teremos que ter sabedoria para navegar neles. Um primeiro plano parte da compreensão de que o tecido institucional do país está esgarçado e precisa ser recuperado. Nesse plano, temos que ter um tipo de aliança, rigorosamente, com todo mundo de bem que tenha a compreensão de que o estado democrático de direito está em jogo, independentemente da questão programática sobre o que fazer em relação à crise, que é o outro plano”.

O PT perdeu 60% dos votos nas últimas eleições, fato que precisa ser avaliado dentro do partido. “O que aconteceu em 2017 abre um campo de discussão novo. Uma coisa é você fazer uma autocrítica quando só você está sendo acusado de práticas que foram identificadas em todas as agremiações. Vamos passar um período difícil, mas vamos identificar que existe gente boa em todos os partidos, mas que há problemas em todos, também. E o discurso depende muito do candidato, porque tem que ter grau de veracidade. Se não for autêntico, não vai passar”, analisa.

Doria

O ex-ministro da Educação também falou com uma virtual candidatura de João Doria em 2018. “Não é possível avaliar quem será um bom candidato. Como há um clima de paixão, as tensões sociais estão muito exacerbadas e, em um momento desses, a pior pessoa do mundo pode ser um grande candidato. O que posso dizer é que ele não será um grande presidente, se eleito for. Primeiro, pelo trabalho que ele vem realizando na prefeitura e, depois, pelo estilo antigo. Prometer ficar quatro anos e largar, prometer apoiar o Alckmin e se desdizer. Não termina um ano e já está fora da cidade fazendo campanha. Nunca acreditei nesse tipo de político. Uma pessoa que diz que não é político, mas só faz política. Não é uma crítica pessoal ao Doria, mas não acredito em um tipo de política que se afirma pela desconstrução do que foi feito antes, e não pela afirmação de um projeto próprio. São sintomas de uma política antiga. Vamos supor que tem alguém que desprezo no PSDB, seja uma mulher, jamais chamaria de anta. É um estilo de política muito antigo. Você não chama uma mulher de anta, seja quem for”.

*Com informações do Correio Brasiliense

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Fotos Públicas



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