A respeito de neo-confederados e petições

“Obviamente, a nós brasileiros não deveria interessar a proteção de monumentos que elogiam a escravatura, a separação sulista dos EUA, e muito menos a defesa de instituições anti-negros e anti-semitas como os neo-confederados. Mas,...

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“Obviamente, a nós brasileiros não deveria interessar a proteção de monumentos que elogiam a escravatura, a separação sulista dos EUA, e muito menos a defesa de instituições anti-negros e anti-semitas como os neo-confederados. Mas, sabe-se lá pela falta de qual medicação, Olavo agora faz da defesa da Inquisição e dos neo-confederados sua bandeira”. Leia mais na coluna de Adriana Dias 

Por Adriana Dias*

Fui mais uma vez surpreendida pela não limitação da mediocridade humana. Aos seus discípulos, quase papagaios lobotomizados, Olavo Medieval de Carvalho sugere a assinar uma petição tão importante quanto enxugar gelo: defender monumentos confederados.

Obviamente, a nós brasileiros não deveria interessar a proteção de monumentos que elogiam a escravatura, a separação sulista dos EUA, e muito menos a defesa de instituições anti-negros e anti-semitas como os neo-confederados. Mas, sabe-se lá pela falta de qual medicação, Olavo agora faz da defesa da Inquisição e dos neo-confederados sua bandeira.

Estudo os movimentos de ódio há mais de uma década. E os neo-confederados são um movimento anti-semita, afirmando os judeus como deícidas, como o Mal do mundo. São um movimento separatista, anti-negros, e são classificados como grupo de ódio pela ADL. A ADL tem origem na B’nai B’rith dos EUA, e portanto, é fonte segura acerca de mapeamento e anti-semitismo.

Desenvolver propaganda acerca dos neo-confederados no Brasil é um absurdo. Os grupos neo-confederados são apólogos do nazismo, e consideram o holocausto como “castigo devido” aos judeus pela morte de Cristo. São grupos racistas e defendê-los é crime no Brasil, pela Lei 7.716 de 1989. Espero que logo alguém seja punido por fazer apologia a esse tipo de grupo.

O objetivo dos grupos neo-confederados tem sido reconstruir “uma Pátria Branca”, termo que eles usam para denominar um espaço territorial “livre” de seus inimigos como, por exemplo, definiu um dos líderes e oradores do evento da Virginia, Matthew Heimbach. Ele é um nacional-socialista declarado e o líder do Partido Trabalhador Tradicionalista. Ele defende que “deve haver grandes demonstrações de força” para “delinear o futuro do povo branco”. Defensor do slogan das 14 palavras de David Lane, o mais lido dos líderes neo-nazistas, vomita ódio e tem grande força no público jovem. A última coisa que precisamos é que no Brasil se defenda gente desse tipo.

*Adriana Dias é formada em Ciências Sociais e mestre e doutoranda em Antropologia Social pela Unicamp. Coordena o Comitê “Deficiência e Acessibilidade, da Associação Brasileira de Antropologia. Também é membro da American Anthropological Association



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