Pai de adolescente morto em favela do Rio acusa PM: “Quem fez isso não vai ser punido”

Uma moradora do Chapadão contou que viu quando policiais atiraram em direção à mata onde Denilson estava com outros dois jovens. Ela afirma ter avisado aos agentes que o rapaz não era bandido.

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Uma moradora do Chapadão contou que viu quando policiais atiraram em direção à mata onde Denilson estava com outros dois jovens. Ela afirma ter avisado aos agentes que o rapaz não era bandido.

Da Redação*

Um adolescente Denilson de Souza Moraes (foto), de 16 anos, foi morto por bala perdida no Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio, na manhã desta terça-feira (29). Depois de ouvir relatos de pessoas que estavam com o adolescente, o pai do garoto, Crenilson de Moraes Dionísio, de 43 anos, diz não ter dúvidas de que o disparo partiu de um policial militar — havia uma operação da PM na comunidade.

“Meu filho vai virar estatística. E quem fez isso com ele não vai ser punido”, disse Crenilson.

“Sempre pedi para ele que quando tivesse operação, não saísse para a rua. E ele estava lá, queimando cobre, no trabalho, quando foi ferido. E o que é pior: meu filho vai virar estatística. E quem fez isso com ele não vai ser punido. Quando é um policial que morre, é uma comoção. Mas meu filho? Hoje estamos falando dele. Amanhã ninguém mais vai se lembrar do que aconteceu”, disse, emocionado, enquanto aguardava a liberação do corpo de Denilson no Instituto Médico Legal (IML), nesta quarta-feira.

Crenilson contou que estava no trabalho quando soube do acontecera com o jovem. Ele correu para o Hospital estadual Carlos Chagas, mas Denilson já havia morrido. A irmã dele, Priscila Moraes, de 25 anos, havia passado mal e também teve que receber atendimento médico.

“Não tive tempo de me despedir. E agora estou aqui, pensando apenas que meu filho tinha todo um futuro pela frente. Estava animado, havia acabado de tirar a Carteira de Trabalho e ia fazer um curso de eletricista”, contou o mecânico.

Segundo ele, além do trabalho no ferro-velho, Denilson estudava à noite. O pai contou ainda que o adolescente era um rapaz caseiro, que ajudava a mãe nas tarefas domésticas. Ainda não há informações sobre o sepultamento de Denilson. A morte dele está sendo investigada pela Divisão de Homicídios (DH), que já ouviu os depoimentos de Crenilson e de testemunhas.

Em relação ao que aconteceu, a Polícia Militar informou que PMs do 2º Comando de Policiamento de Área (CPA) atuaram nos complexos do Chapadão e Pedreira nesta terça-feira, em uma ação de combate a roubo de cargas. De acordo com a corporação, durante a manhã o 9º BPM (Rocha Miranda) foi informado de que uma pessoa ferida havia dado entrada no hospital vindo do Chapadão. A PM não informou se houve troca de tiros entre policiais e criminosos na região.

‘Os policiais atiraram de longe’

Uma moradora do Chapadão contou ao EXTRA que viu quando policiais atiraram em direção à mata onde Denilson estava com outros dois jovens. Ela afirma ter avisado aos agentes que o rapaz não era bandido.

“Ele estava em uma mata, queimando cobre para o ferro velho em que trabalhava, com mais dois meninos. Os policiais atiraram de longe. Só gritamos que era morador e pedimos para eles pararem de atirar. Os outros meninos ficaram com machucados leves por causa dos estilhaços. A família dele está inconsolável”, disse.

Após a morte de Denilson, amigos e parentes dele realizaram uma passeata pedindo paz na Estrada Rio do Pau, na Pavuna. No início desta noite, uma nova manifestação foi realizada pedindo paz e justiça após a morte do adolescente. No cartaz, a frase: “Mais uma vítima covarde”.

*Com informações do Extra

Foto: Facebook

 



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