Goleiro do Flamengo acusa jornal de “humilhação” e “execração pública”

Em editorial, o jornal Extra criticou o desempenho do atleta e informou que não o chamaria mais pelo apelido de “Muralha” em nome da “precisão jornalística”. Texto gerou revolta no goleiro e no clube,...

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Em editorial, o jornal Extra criticou o desempenho do atleta e informou que não o chamaria mais pelo apelido de “Muralha” em nome da “precisão jornalística”. Texto gerou revolta no goleiro e no clube, que proibiu seus jogadores de darem qualquer declaração ao periódico até que uma retratação seja feita 

Por Redação

O Flamengo e o goleiro Alex Muralha estão revoltados com o editorial do jornal Extra publicado nesta sexta-feira (1). Com um texto destacado na capa, o periódico faz duras críticas ao atleta por conta de seu suposto mal desempenho nas últimas partidas do clube. Com uma foto do jogador, o editorial informa que, a partir de hoje, deixará de se referir ao goleiro pelo seu apelido, “Muralha”, e passará a chamá-lo somente pelo seu nome, Alex Roberto.

“Em nome da precisão jornalística, o leitor do EXTRA não encontrará, a partir de hoje, a palavra Muralha relacionada ao senhor Alex Roberto Santana Rafael. Provável titular do Flamengo na final da Copa do Brasil, Alex Roberto, o ex-Muralha, mais uma vez desmoralizou o vulgo, levando um frango no jogo contra o Paraná pela Primeira Liga”, diz o texto, que não poupa críticas e ironias com relação ao jogador.

Reprodução/Extra

Muralha – ou Alex Roberto -, então, resolveu responder através de uma nota pública em que afirma que o editorial é uma “humilhação e “execração pública”.

“Brincadeiras da torcida também são normais, o futebol mexe mesmo com todos os brasileiros. Mas outra coisa é mexer com o ser humano. Isso está longe de ser uma brincadeira. A palavra é humilhação, é execração pública”, escreveu. O jogador afirmou ainda que se sentiu “fichado”.

“Sinceramente, eu me senti sendo ‘fichado’ como tal na capa do jornal. É muito sério. Foi um posicionamento de mau gosto e até irresponsável. O termo ‘vulgo’, que citam no texto a meu respeito, é normalmente usado para designar bandido, e isso causa constrangimento”, escreveu.

O Flamengo, por sua vez, proibiu que seus atletas falem com repórteres do jornal até que uma retratação pública seja feita. A fala do editor de esportes do jornal, Marvio dos Anjos, no entanto, indica que o periódico não está disposto a se retratar.

“Temos aqui nas redes sociais um bombardeio, tanto de gente que achou graça como repudiou. Os ânimos rubro-negros estão muito exaltados. Eu acho o seguinte. O Alex Muralha tem um apelido problemático, ele vai precisar fazer jus toda vez que jogar a esse apelido. Resolvemos fazer uma brincadeira com isso, seguindo a tradição de 19 anos que o ‘Extra’ tem de lidar também com o humor. Isso não é de agora. Às vezes o alvo da piada muda e as pessoas descobrem que o Extra trabalha com humor. Enfim, é uma brincadeira”, afirmou ao canal SporTV.

Confira a íntegra da nota de Muralha.

“Ao tomar conhecimento do que o Jornal Extra, veículo de imprensa de tanta credibilidade e força, escreveu hoje a meu respeito, eu só posso me sentir indignado. Uma coisa são as críticas que recebemos, e não sou contra, nos fazem crescer. Falhas fazem parte, em qualquer segmento. Estamos todos sujeitos a isso e buscamos corrigi-las. Brincadeiras da torcida também são normais, o futebol mexe mesmo com todos os brasileiros.

Mas outra coisa é mexer com o ser humano. Isso está longe de ser uma brincadeira. A palavra é humilhação, é execração pública. Seguiram linha semelhante a que usam ao se referirem a bandidos que cometem crimes. Sinceramente, eu me senti sendo ‘fichado’ como tal na capa do jornal. É muito sério. Foi um posicionamento de mau gosto e até irresponsável. O termo ‘vulgo’, que citam no texto a meu respeito, é normalmente usado para designar bandido, e isso causa constrangimento. É um fato que pode até incitar a violência. Numa época tão difícil, em que a gente vê tanta barbaridade por aí, uma atitude como essa não contribui em nada, nem para o jornalismo esportivo nem para o futebol. A notícia não pode perder para as piadas sem graça, que só quem teve a ideia deve estar rindo.

Pelo menos, estou me sentindo abraçado, e aproveito para agradecer ao apoio que recebi da diretoria, da comissão técnica e de todos os meus companheiros, que ficaram tão revoltados quanto eu. E de vários torcedores nas redes sociais, que entendem a situação e percebem que somos humanos e sujeito a falhas. Por este motivo, me sinto fortalecido, mas não poderia deixar de expressar meu descontentamento”.

 



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