11 de setembro: para não esquecer

Há 44 anos, as Forças Armadas do Chile, comandadas pelo sanguinário general Augusto Pinochet, arrancaram do governo o presidente socialista Salvador Allende, instalando a ditadura militar.

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Há 44 anos, as Forças Armadas do Chile, comandadas pelo sanguinário general Augusto Pinochet, arrancaram do governo o presidente socialista Salvador Allende, instalando a ditadura militar.

Por Lucas Vasques

Nesta segunda-feira (11) registra-se mais um aniversário de uma das principais demonstrações de violência ocorridas nos últimos 50 anos. Trata-se do 11 de setembro. Uma ação que causou, no ato em si e nos anos subsequentes, inúmeras mortes (físicas e psicológicas) e consequências nefastas até hoje sentidas por todos. Um ataque desprovido de legitimidade e que representou a supremacia da força em detrimento à vontade do povo. Não apenas de um país, mas de um continente e, sem exagero, do mundo. Pelo menos, a quem tem uma pequena noção do que seja democracia.

Essa força maior, com tentáculos que puderam alcançar e mutilar milhares de pessoas, subverteu a ordem natural e a forma pela qual as nações se relacionavam. Foi determinante para uma nova postura, tanto dos algozes quanto das vítimas. Dos primeiros, porque foram acometidos por um falso sentimento de superioridade. Dos segundos, porque tiveram de recolher os cacos, chorar seus mortos, resistir para, enfim, dar a volta por cima. Em resumo: após o 11 de setembro, nunca mais a vida foi a mesma.

A referência é a um evento histórico pouquíssimo abordado pela mídia, mas, no entanto, com reflexos diretos no Brasil: o golpe militar do Chile, que guarda a infeliz coincidência de ter sido deflagrado em 11 de setembro (mesmo dia do atentado que derrubou as Torres Gêmeas, nos Estados Unidos), mas em 1973. Por intermédio da truculência característica das Forças Armadas à época, Augusto Pinochet arrancou do governo o presidente socialista Salvador Allende, causando, inclusive, a morte do dirigente.

De todos os golpes militares que tomaram conta da América do Sul nesse período, talvez o que ocorreu no Chile tenha a carga mais dramática em sua raiz. Isso porque o carrasco Pinochet e sua camarilha arrancaram do poder o representante da principal experiência de um governo socialista no continente. Além disso, se juntou a outros regimes militares na região, como no Uruguai, que nasceu também em 1973, e Argentina, em 1976, todos inspirados pelo Brasil, infelizmente o pioneiro neste modelo espúrio, que teve início aqui no fatídico ano de 1964.

A partir daí, foi criada uma nova técnica de ditadura, que não visava apenas “acabar com o comunismo”, mas implantar sistemas político e econômico diferentes. O objetivo era manter o controle da sociedade, dos meios de comunicação e dos poderes Legislativo e Judiciário, com pretensões de perpetuação no poder.

Não se pode brigar com a história. É evidente a relevância do que aconteceu nos Estados Unidos. No entanto, também é necessário lembrar que os atos de então foram uma reação à forma pela qual o governo norte-americano, especialmente os republicanos, vinha tratando as relações com os países muçulmanos. É evidente que com uma dose mais do que exagerada de violência e fanatismo.

O que incomoda mais é que grande parte das emissoras de televisão trata com ênfase o atentado nos Estados Unidos, inclusive com a veiculação de programas especiais, produzidos com o tradicional esmero, a respeito da queda das Torres Gêmeas. Em contrapartida, pouco se fala sobre o golpe do Chile, prática costumeira ao longo dos anos. O tema é tratado como se fosse uma página da história a ser esquecida. E isso não pode acontecer. Ainda mais em um momento no qual as ideias fascistas ganham força, especialmente no continente sul-americano.

Foto: Wikipedia/Commons



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