Ocupação em São Bernardo reúne 4 mil famílias

Coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, revela que a ação em terreno ocioso traduz o a agravamento da crise social, com o significativo aumento do desemprego.

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Coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, revela que a ação em terreno ocioso traduz o a agravamento da crise social, com o significativo aumento do desemprego.

Por Lucas Vasques

Há 11 dias, cerca de 4 mil famílias fazem parte da ocupação de um terreno ocioso em São Bernardo do Campo, região do ABC paulista. Trata-se de uma das maiores ações desse tipo nos últimos períodos, segundo Guilherme Boulos, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). “Essa ocupação é forte, simbólica e representa o agravamento da crise social, com o significativo aumento do desemprego. Com isso, as pessoas não conseguem mais pagar aluguel e são obrigadas a recorrer a essa iniciativa. Hoje, há milhões de cidadãos que estão nessa situação, ou seja, sendo despejados, morando de favor em comunidades ou em ocupações. Por isso, essas ações estão crescendo no país todo”, analisa Boulos.

São Bernardo é a cidade que apresenta o maior déficit habitacional da região do ABC, totalizando mais de 90 mil famílias sem moradia. Parte desse déficit ocorre em função da localização do município, próximo ao Parque Estadual da Serra do Mar. Existem poucos locais disponíveis, porque a maior parte da cidade está em área de mananciais, o que impede construções. Por isso, a ocupação se deu neste que é um dos maiores terrenos do município. Está sem uso, somente esperando valorização para uma utilização futura, que, certamente, não será para moradias populares.

O coordenador do MTST revela que, se depender dos trabalhadores que estão na ocupação, não há previsão de saída. Entretanto, a construtora proprietária do terreno ingressou com um pedido de reintegração de posse, o que, para Boulos, não se justifica. “A própria Constituição Federal prevê que toda propriedade precisa exercer uma função social, o que foi regulamentado, inclusive, pelo Estatuto da Cidade. Isso quer dizer que até mesmo o poder público pode desapropriar um terreno ocioso. E este estava abandonado havia 40 anos. Portanto, a ocupação é legítima e, em minha visão, legal, pois está respaldada pela Justiça”. A área se localiza à Rua João Augusto de Souza, em frente à fábrica da Scania, e tem cerca de 70 mil metros quadrados.

Boulos revela que, durante os 11 dias de ação, a Guarda Municipal de São Bernardo do Campo, especialmente no início, foi truculenta. “Contudo, a partir do momento em que o movimento foi crescendo, eles encontraram mais dificuldade. Mesmo assim, ainda agem tentando constranger os cidadãos. Aliás, não é papel da Guarda Municipal tomar conta de um terreno particular. A GM está agindo de forma irregular, pois a instituição deveria se limitar a atuar na proteção do patrimônio público”.

Foto: Divulgação/MTST



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