‘Tem que manter isso ai, viu?’ – O Globo defende em editorial que se preservem as provas contra Temer

De acordo com o jornalão dos Marinho, o melhor caminho é punir quem rompeu o acordo, “mas que isto não sirva de pretexto para se deixar crimes impunes”.

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De acordo com o jornalão dos Marinho, o melhor caminho é punir quem rompeu o acordo, “mas que isto não sirva de pretexto para se deixar crimes impunes”.

Da Redação

O Jornal O Globo, conhecido por suas posições ‘chapa branca’ quando não se trata de Lula ou Dilma, surpreendeu a todos nesta terça-feira (12) e defendeu que sejam preservadas as provas contra Michel Temer (PMDB) – e consequentemente Aécio Neves – apresentadas por Joesley Batista, apesar da sua prisão neste domingo (10).

Diz o jornal:

“Há passos importantes ainda a serem dados. Um deles, amanhã, quando o Supremo deve decidir se as provas apresentadas por Joesley na delação — a conversa gravada com Temer e seu desdobramento na pressa com que Rocha Loures puxou maleta com R$ 500 mil por São Paulo — continuam válidas ou caem com o rompimento do acordo. Destaque-se que o próprio acordo preserva essas provas, entendimento que também é de juristas e de ministros da Corte. Este será mesmo o melhor desfecho para o caso. Puna-se quem rompeu o acordo, mas que isto não sirva de pretexto para se deixar crimes impunes.”

O jornalão da família Marinho defendeu ainda o rompimento do acordo de delação feito pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot:

“O prêmio da concessão de imunidade penal absoluta a Joesley foi muito criticado, e também serviu de munição para aliados do presidente Temer. Ao sustar o acordo e pedir investigações, o procurador agiu de forma correta.”

O editorial alertou, no entanto, para o fato de que, apesar da opinião pública clamar pela prisão de poderosos, “o que importa mesmo é que as instituições demonstram funcionar na mediação de todos esses conflitos, para que o país continue a enfrentar a crise política no estado de direito, sem qualquer desrespeito ao devido processo legal”.

Além disso, o texto alerta ainda para o fato de que nada do que aconteceu até agora deixou de ser resolvido pelos termos do “acordo de colaboração premiada” assinado por Joesley Batista com o MP federal. “Omitir fatos, por exemplo, como aconteceu, é cláusula que permite a rescisão do entendimento. E, por óbvio, a suspensão do prêmio”, observa.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

 



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