Facebook censura imagem de obra de Michelangelo

Além disso, puniu o administrador da página Ativismo Protestante e autor do post, com três dias de exclusão da rede social: "Decisão arbitrária e injusta", diz Osmar Carvalho.

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Além disso, puniu o administrador da página Ativismo Protestante e autor do post, com três dias de exclusão da rede social: “Decisão arbitrária e injusta”, diz Osmar Carvalho.

Por Lucas Vasques

O Facebook excluiu um post da página do Ativismo Protestante (AP), que mostrava a imagem da gravura “Leda e o Cisne”, do artista italiano Michelangelo. A publicação na página do AP continha apenas a imagem e a frase “Michelangelo zoófilo continua valendo né?”, uma crítica à censura promovida pelo MBL e seus seguidores à exposição “Queermuseu”, que estava ocorrendo no Santander Cultural, em Porto Alegre. O banco cedeu à pressão e cancelou a mostra. “Postei a foto junto com a pergunta. Um seguidor denunciou e o Facebook removeu, alegando que continha pornografia”, conta Osmar Carvalho, um dos administradores da página AP e autor do post.

“Eles me deram três dias de bloqueio no Facebook e no messenger. Só posso olhar e excluir mensagens nesse período, que vai até esta quinta-feira (14)”, relata. O mesmo aconteceu com o cartunista Vitor Teixeira, que também teve o perfil bloqueado por publicar uma imagem do quadro “Leda e o Cisne”.

A gravura, pintada por Cornelis Bos, é um quadro que retrata uma mitologia grega, na qual Zeus é atraído por uma bela princesa, casada com um herdeiro de Esparta. Com medo de assustar a jovem com sua imagem gloriosa de Deus onipotente, Zeus se transforma em um exuberante cisne, para se aproximar discretamente dela e conseguir seduzi-la. Os dois se entrelaçam amorosamente e Leda dá à luz filhos. A cena tem diversas versões em forma de quadro. A imagem também é de domínio público, ou seja, não foram infringidos direitos autorais.

Um eleitor do deputado federal de extrema direita Jair Bolsonaro denunciou a publicação ao Facebook, que acatou e exclui a imagem sem prévio aviso ou direito de resposta do AP: “Sou eleitor do Bolsonaro e com orgulho! Me representa muito no meio político! Bem melhor que o fascista do Lula”, publicou o homem que fez a denúncia. O mesmo eleitor comemorou a censura, em um comentário na página, postando a decisão.

De acordo com o Facebook, a imagem feriu sua “política da comunidade”. Segundo Osmar Carvalho, foi uma decisão arbitrária e injusta. “Trata-se de uma obra de arte de um grande artista. Além disso, essa cena mitológica é muito conhecida, tem várias pinturas dela, inclusive, uma de Leonardo da Vinci. A política do Facebook diz que permite nu artístico, em esculturas, quadros etc, mas não foi o que aconteceu. Sinto-me péssimo desde o bloqueio, pois nunca imaginei viver esse tipo de censura. É uma tortura psicológica, pois não temos como nos defender. O Facebook disse que eles não retiram o bloqueio por nada. Na política deles também dizem que seus funcionários podem nos procurar para saber o motivo do bloqueio, mas ninguém nos procurou. É lamentável e temos de denunciar, ainda mais porque lutamos pelos direitos humanos, liberdade de expressão e pelas minorias”, comenta Osmar.

*Com informações do Ativismo Protestante

Foto: Divulgação



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