Gestão Doria: Diretor de hospital chama de ‘erro biológico’ pessoas que usam crack

Paulo Henrique Rodstein é diretor do Hospital Cantareira, instituição privada que tem recebido recursos do governo Doria para internar usuários de drogas Por RBA...

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Paulo Henrique Rodstein é diretor do Hospital Cantareira, instituição privada que tem recebido recursos do governo Doria para internar usuários de drogas

Por RBA

O diretor do Hospital Cantareira, Paulo Henrique Mendes Rodstein, definiu os usuários de crack como pessoas que “deram errado do ponto de vista biológico”. A frase foi proferida nesta quinta-feira (14), durante um seminário no auditório da Prefeitura de São Paulo para debater, junto com trabalhadores da assistência social e da saúde, o controverso programa Redenção da gestão João Doria (PSDB).

“A Cracolândia é o funil para quem deu errado, tanto do ponto de vista biológico quanto do ponto de vista psicossocial”, definiu o diretor do hospital que mantém convênio com a prefeitura para internar usuários de drogas.

A afirmação de Rodstein causou espanto nos participantes da reunião. Diante da reação negativa, o diretor do hospital ainda tentou explicar a declaração: “O que deu errado do ponto de vista biológico, que eu falo, é alguém que tem uma propensão ao uso mais grave, uma compulsão maior pelo uso da droga”, disse ele.

Segundo o coletivo A Craco Resiste, a opinião de Paulo Henrique Rodstein revela despreparo e preconceito, sendo um exemplo de como “a falta de diálogo, neste projeto construído de forma arbitrária, tem trazido opções que não respeitam os direitos, nem a dignidade dos usuários”.

“Apresentar a Cracolândia como um lugar de pessoas irrecuperáveis faz parte da retórica desonesta usada pela administração Doria e seus parceiros privados, que têm recebido generosas somas de recursos públicos”, afirma o coletivo em rede social.

Confira nota do Hospital Cantareira sobre a fala do diretor

O diretor do Hospital Cantareira, Paulo Henrique Mendes Rodstein, retrata-se pela escolha equivocada de palavras utilizadas durante um evento do Programa Redenção nesta quinta-feira (14) que levaram, sem sombra de dúvidas, a um grave mal-entendido. Tal frase não representa a opinião ou valores do médico ou do Hospital Cantareira, que prezam por oferecer um atendimento em saúde de qualidade à população e pelo devido respeito aos pacientes.

Sua real intenção foi exemplificar as vulnerabilidades sociais e biológicas (de saúde) às quais os dependentes químicos infelizmente estão expostos. Tal fala deveria fazer referência aos danos provocados ao organismo do usuário de drogas, severamente afetado pelo abuso de substâncias psicoativas e possíveis comorbidades clínicas que ocasiona, como ocorre na região conhecida como Cracolândia.

Porém, tal sentido realmente não foi explicitado em sua explanação, que, por um lapso, não foi corrigida. Desta forma, o psiquiatra expressa aqui suas mais sinceras desculpas a todos que se sentiram ofendidos pelo equívoco ao formular sua fala, frisando que tal erro não representa sua opinião sobre o assunto ou nem sequer seu histórico profissional, exemplar na área de medicina e dependência química.

Formado em medicina pela Universidade de São Paulo e em psiquiatria pela Unifesp, o médico psiquiatra há anos trabalha com o atendimento a dependentes químicos, conhecendo os males sofridos pelos mesmos, demonstrando empatia e trabalhando ativamente para oferecer o melhor atendimento em saúde para estes pacientes.

Ouça o áudio do diretor do Hospital Cantareira:

Foto: Ivan Longo 

 



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