Por que a capa facínora da ‘Istoé’ esquece Aécio e Temer

Na capa da edição deste final de semana, a revista declaradamente antipetista coloca Lula e Dilma no mesmo barco de Geddel, Garotinho ou Cunha, mas nem sequer cita Temer, denunciado pela segunda vez essa...

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Na capa da edição deste final de semana, a revista declaradamente antipetista coloca Lula e Dilma no mesmo barco de Geddel, Garotinho ou Cunha, mas nem sequer cita Temer, denunciado pela segunda vez essa semana, ou Aécio, cujas evidências contra ele dispensa comentários. Talvez o histórico inclinamento tucano da revista e o aumento de verba de publicidade do governo Temer possam explicar

Por Redação 

A revista ‘Istoé’, que faz questão de atacar o PT em todas as suas edições, se supera. Desta vez, a publicação chegou ao ponto de ignorar os fatos apenas para criar uma narrativa negativa à Lula, Dilma e ao Partido dos Trabalhadores como um todo ao sair, na edição deste final de semana, com uma capa que coloca os petistas no mesmo barco de figuras como o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o ex-deputado federal Eduardo Cunha ou ainda o ex-governador Anthony Garotinho – eles e outros são os “facínoras”, e a reportagem se propõe a responder a pergunta de como o Brasil “foi parar nas mãos dessa turma de delinquentes”.

Essa tentativa de associar o PT a casos que não tem nenhuma ligação com o partido não é nova. Acontece que essa capa, em especial, vem com um detalhe novo: esqueceram de Temer, Aécio Neves, Moreira Franco, entre outros.

O fato de Lula e Dilma estarem na capa não estranha afinal, eles foram citados por Antônio Palocci – também na capa – em seu depoimento à Moro. Garotinho, por sua vez, foi preso essa semana. Geddel também tem seu lugar cativo na capa pelas malas com milhões em dinheiro encontradas em um apartamento seu. Mas Aécio, senador que chegou a ser afastado pelas evidências de seu envolvimento com a JBS e que também já teve apartamento com dinheiro supostamente de propina encontrado sequer é citado. E Michel Temer, que bateu recorde essa semana a ser o primeiro presidente a acumular duas denúncias – uma por corrupção e uma por obstrução e organização criminosa – em pleno exercício do mandato? Também não aparece na capa, mas é citado em um trecho da matéria.

“Na semana passada, Michel Temer disse que “facínoras roubam a verdade” no País. Ele se referiu apenas aos que o denunciam. ISTOÉ elege a expressão facínora em outro contexto bem mais amplo: refere-se a todos, todos mesmo, os predadores que assaltam politicamente o Brasil. É como se Temer falasse de alguns músicos; ISTOÉ fala da orquestra interira”, diz o texto (com esse erro de português mesmo no que era para ser “inteira”) assinado por Antonio Carlos Prado.

Não é difícil entender o motivo pelo qual Temer e Aécio foram poupados. Quanto à Aécio, não é preciso muitas explicações. A revista historicamente tucana jamais fez uma matéria negativa sequer sobre políticos do PSDB. Já com relação à Temer, por sua vez, vale conferir a tabela abaixo sobre as verbas de publicidade destinadas a revistas e jornais no governo do peemedebista.

Publicidade do governo para IstoÉ aumenta em mais de 1.300%

Pelos números levantados em maio deste ano pelo blog o Cafezinho, a Istoé foi o veículo de comunicação que teve o maior aumento em verbas de publicidade do governo federal no último ano, com 1.384% de acréscimo em relação ao ano anterior. Bom lembrar, como fez o blog à época, que a IstoÉ concedeu a Temer o título de “Homem do Ano” em 2016 e fez a cerimônia na qual Sergio Moro e Aécio Neves sentaram-se juntos e trocaram sorrisos e gentilezas.



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