Masp usa pano preto sobre tela erótica em exposição

"Viva a caretice e a hipocrisia", diz visitante. Curador da mostra "Pedro Correia de Araújo: Erótica" nega censura

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“Viva a caretice e a hipocrisia”, diz visitante. Curador da mostra “Pedro Correia de Araújo: Erótica” nega censura, justificando que a cobertura das obras é por causa da incidência de luz no segundo subsolo do museu.

Da Redação*

Desenhos eróticos que fazem parte da exposição “Pedro Correia de Araújo: Erótica” estão cobertos por panos pretos. Para visualizar a obra é preciso levantá-lo. A internauta Isabella Maia esteve na mostra e divulgou um vídeo onde relata ter ficado chocada em “ver arte censurada em museu, em nome da moral e dos bons costumes”.

A medida chama atenção ao ocorrer uma semana após o fechamento da mostra “Queermuseu”, do Santander Cultural de Porto Alegre, no domingo (10), por pressão de grupos conservadores, que protestaram contra o conteúdo sexual das obras expostas. “Viva a caretice e a hipocrisia”, diz Isabellla.

De acordo com a assessoria do Masp, a decisão de cobrir os desenhos eróticos de Pedro Correia de Araújo foi tomada três semanas antes dos acontecimentos que envolveram a mostra “Queermuseu”. Ainda segundo a assessoria do museu paulista, “o Masp tem dedicado todo o ano de 2017 para discutir o tema da sexualidade” e “a mostra faz parte de um contexto amplo, que já exibiu obras de Teresinha Soares, Miguel Rio Branco e Toulouse-Lautrec com conteúdo de nudez e representações de atos e órgãos sexuais de forma explícita”.

Fernando Oliva, curador da exposição, em carta enviada ao Estado de SP, alegou que “não houve censura e tampouco autocensura por parte da curadoria do Masp”, ao decidir cobrir com uma pequena cortina preta desenhos eróticos do artista.

Os “panos negros”, segundo Oliva, foram colocados porque “há incidência de luz muita alta para obras em papel” no segundo subsolo, onde está instalada a mostra. Para Oliva, eles “resultam em uma solução estética que nos interessava”. “Portanto, acredito que essas decisões estão muito distantes do ato de censurar, pois, afinal, as obras estão acessíveis ao público”. Os panos negros, argumenta o curador, “despertam ainda mais curiosidade em ver o que está sob eles”.

Assista ao vídeo:

*Com informações do Estado de S.Paulo

Foto: Divulgação



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