“O MBL tem cara de novo, mas representa um projeto atrasado”, diz Carina Vitral

Em debate, presidente da UJS alerta para o atual desmonte do Estado e destaca a necessidade de mudanças: "Não basta ser jovem, é preciso estar do lado das lutas do povo".

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Em debate, presidenta da UJS alerta para o atual desmonte do Estado e destaca a necessidade de mudanças: “Não basta ser jovem, é preciso estar do lado das lutas do povo”.

Por Lucas Vasques

“Quando falamos em renovação no cenário político precisamos saber para onde queremos renovar. Não basta ser jovem, é preciso estar do lado das lutas do povo. O MBL tem cara de novo, mas representa um projeto atrasado”. A análise foi feita por Carina Vitral, presidenta da União da Juventude Socialista (UJS), durante debate sobre o tema “Reforma Política e Modelo de Estado”, realizado na tarde desta segunda-feira (18), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Estiveram em ação, além de Carina, Nayara Souza, presidenta da União Estadual dos Estudantes (UEE), e como contraditório, Kim Kataguiri e Arthur do Val, ambos do Movimento Brasil Livre (MBL).

Na opinião de Carina, “hoje, há um verdadeiro desmonte do Estado. O que está ocorrendo é que todos os direitos, que foram conquistados ao longo de muitos anos, por meio de uma intensa luta, que vem desde antes da resistência à ditadura militar, estão acabando”.

Na visão progressista de Carina e Nayara, o Estado deve funcionar como garantidor dos direitos individuais e, também, dos direitos sociais, que são saúde, moradia, educação etc. “Vejo uma forte contradição na narrativa dos liberais. Eles pregam o Estado mínimo e que o mercado regule e garanta os direitos sociais. No entanto, em questões que estão diretamente ligadas aos direitos individuais, como a união homoafetiva, por exemplo, eles pedem a intervenção do Estado. Até para ser liberal precisa ter coerência. Outro caso emblemático foi a crise econômica de 2008. Na ocasião, os liberais, que sempre rechaçam a ideia de participação estatal na economia, pediram a intervenção do estado para sanar os bancos”, reflete Carina.

Os integrantes do MBL, Kim Kataguiri e Arthur do Val, como de costume, criticaram as gestões do PT à frente do governo federal e defenderam as privatizações, seguindo a linha de atuação de que o mercado deve ser o grande guru da economia e da sociedade.

A presidenta da UJS, por sua vez, acredita que o Estado tem de ser forte para gerir os recursos estratégicos do país, como exploração do pré-sal, petróleo, defesa da Amazônia, entre outros. “Atualmente, o que observamos é que alguns instrumentos do Estado, como o Ministério Público, a Polícia Militar e a Polícia Federal se voltam contra a população, inclusive, exterminando a juventude negra e indo contra os movimentos sociais”.

Para Nayara, o Brasil vive uma democracia frágil. “Nos anos pós-ditadura, dos quatro presidentes, apenas dois concluíram o mandato. O país não é acostumado à democracia. Na minha opinião, a verdadeira reforma política depende do combate à corrupção e deve, necessariamente, aproximar a política da população. A reforma deve passar pelo debate de ideias e propostas e não servir para quem tem mais dinheiro e mais formas de financiamento, conforme estamos vendo agora. O partido político desempenha uma função mais importante do que somente disputar eleições. Deve discutir um projeto de nação, organizar o povo e também disputar eleições”.

Outro tema que provocou divergência de ideias foi em relação ao parlamentarismo, que voltou à cena política nacional. Kataguiri e Arthur do Val defendem a instituição desse sistema no Brasil. No entanto, Carina e Nayara são contra. “O parlamentarismo já foi rejeitado pela população por meio de dois plebiscitos. A reforma política precisa, sim, é privilegiar os partidos políticos e democratizá-los. O MBL defende o parlamentarismo porque permite que pessoas com o Eduardo Cunha tenham poder. E até outro dia, o MBL tinha o Eduardo Cunha como amigo”, lembrou a presidenta da UJS.

Ao final,  Carina ainda disse umas verdades à dupla do MBL, especialmente para Kataguiri: “Onde estava o MBL para defender a escola pública quando mais de mil instituições de ensino foram ocupadas? Onde estava o MBL para defender a escola pública quando o governador Geraldo Alckimn – que o MBL tem como parceiro – cortou as merendas? Onde estava o MBL quando o Doria marcou a mão das crianças para não repetir a merenda?”, concluiu.

Foto: Karla Boughoff/UJS Osasco



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