PM se faz passar por namorada, marca encontro e mata ex-atleta da seleção de hóquei

O soldado Jarbas Colferai conversava há pelo menos seis meses pela internet com a vítima. A namorada diz que nunca teve envolvimento com o ex-atleta. Da Redação*...

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O soldado Jarbas Colferai conversava há pelo menos seis meses pela internet com a vítima. A namorada diz que nunca teve envolvimento com o ex-atleta.

Da Redação*

Por ciúmes da namorada, que mantinha contato com a vítima, o soldado da Polícia Militar Jarbas Colferai (a direita na foto), de 23 anos, foi preso por matar o atleta Matheus Garcia Vasconcelos Alves (a esquerda na foto), de 24, em São Vicente, no litoral de São Paulo. Inicialmente, as investigações apontavam para o latrocínio (roubo seguido de morte), mas a Polícia Civil concluiu que foi um crime passional.

O soldado Jarbas Colferai conversava há pelo menos seis meses pela internet com Matheus Garcia Vasconcellos Alves, assassinado com um tiro na nuca na noite de segunda-feira (18). No Messenger, do Facebook, o PM se passava pela namorada.

“De modo informal, ele (Jarbas) confessou que há seis meses usava o Facebook da mulher para conversar com o estudante e tentar marcar um encontro com ele, porque desconfiava de uma traição. Mas na conversa de segunda-feira à noite, o policial militar foi mais insistente e o universitário, apesar de relutar, acabou indo ao encontro que imaginava ser com a jovem”, detalhou o investigador Ricardo Mendes.

Policial e a namorada, pivô do crime passional (Foto: Arquivo pessoal)

O soldado Jarbas Colferai com a namorada (Foto: Arquivo Pessoal)

Suposta casa da prima

Para persuadir Matheus, a suposta jovem disse que estava com a chave da casa de uma prima, na Rua Nicolau Guirão Perez, ao lado do Fórum, no Parque Bitaru. Desocupada, a residência seria um local seguro para o encontro amoroso de ambos, conforme argumentou. Afirmando estar com desejo de ficar com o estudante, a falsa mulher ainda disse que até pagaria a corrida de Uber para ele.

De posse do teor da última conversa de Matheus, os investigadores Adilson Peres, Ricardo Mendes, Edmilson Sena, Fábio Costa e Ricardo Ferreira saíram a campo com os nomes da jovem e do filho dela. A partir deles, apuraram a identidade de Jarbas e descobriram que o endereço revelado como sendo o da casa da prima da pivô do homicídio não passou de invenção do policial, para atrair a vítima à tocaia fatal.

Sem envolvimento amoroso

Ao ser abordada para averiguação pelos investigadores, a pivô do crime negou ser autora da conversa travada em seu perfil do Facebook com Matheus. Ela também negou qualquer tipo de envolvimento amoroso com o estudante, atribuindo o crime a um ciúme injustificado de Jarbas.

“Ao se passar pela companheira, o policial militar travava diálogos com conotação sexual. Como a vítima correspondia a esse tipo de conversa, o acusado deve ter criado no imaginário a convicção de que era mesmo traído”, acrescentou Ricardo Mendes.

Matheus foi morto com tiro na nuca (Foto: Arquivo Pessoal)

Matheus (Foto: Arquivo Pessoal)

O Crime

Matheus foi encontrado ainda com vida na Rua Nicolau Guirão Perez, no Centro da cidade. O atleta morreu a caminho do Hospital Municipal. Na mão dele, havia um carregador de celular, mas o aparelho não foi encontrado pela polícia na ocasião.

O estudante foi encaminhado às pressas para o Hospital Municipal de São Vicente, por volta das 22h, mas já chegou morto ao local. Ele morava em Santos e cursava Publicidade e Propaganda na Universidade Santa Cecília (Unisanta).

Por meio de nota, a Polícia Civil confirmou que, após 12 horas de investigação, conseguiu identificar o soldado da PM como o responsável pelo crime. “O Comando da Polícia Militar foi acionado e apresentou o soldado à delegacia, lavrando-se os procedimentos legais”. Foi solicitada sua prisão temporária.

O soldado teve o pedido de prisão temporária concedido pelo Poder Judiciário.

O Velório

O corpo do atleta Matheus Garcia foi velado e sepultado em um cemitério em Santos, também no litoral paulista, nesta terça-feira (19). O atleta jogava hóquei e chegou a integrar a Seleção Brasileira, disputando campeonatos no exterior. Familiares e amigos se reuniram desde o início da tarde.

“Todos no Inter somos uma grande família. Assim como o Matheus, todos são muito felizes. Ele era muito feliz”, disse o conselheiro do Clube Internacional de Regatas de Santos, Emilio da Silva Junior.

Segundo Emílio, ao se destacar na quadra do Inter, onde praticava o esporte desde pequeno, ele conseguiu chegar à Seleção. “Ele foi se destacando aos poucos, até conseguir essa oportunidade. Estou muito triste com tudo o que aconteceu”, disse. Familiares do jovem não quiseram falar com a imprensa.

Mais cedo, o presidente da Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação, Moacir Júnior, disse que a perda é irreparável. “Não dá para imaginar uma coisa dessas. O menino sempre teve muito talento. Eu tenho um filho de 25 anos, da idade dele, e é difícil. Nós decretamos luto e vamos homenageá-lo”.

Matheus representou o país no exterior (Foto: Arquivo Pessoal)

Matheus (Foto: Arquivo Pessoal)

Moacir contou que, no último sábado (16), estava mexendo nos uniformes da Seleção quando encontrou uma camiseta com umas costuras fora do padrão. “Na hora, fiquei bravo. Demorei três minutos para tirar aquilo ali. Mas depois descobri que era do Matheus. Ele era pequeno de tamanho, mas um grande jogador”.

Além de decretar luto por três dias, Matheus vai ser lembrado em um trófeu, que será criado no Campeonato Brasileiro Sub-20 de Hóquei, que ocorrerá em novembro, em Santos. “É o mínimo que a gente pode fazer por ele. A camiseta dele eu vou enquadrar. Antes não tivesse tirado a costura”, desabafou.

*Com informações do G1 e da Tribuna, de Santos

Foto: Arquivo Pessoal



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