Psicóloga da “cura gay” é a mesma que assinou laudo contra Patrícia Lélis sem consultá-la

Uma das inspiradoras da ação que culminou na liminar da “cura gay”, Marisa Lobo é lobista da “ideologia de gênero” no Congresso, apoiadora de Eduardo Cunha e responsável pelo laudo que apontou que Patrícia...

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Uma das inspiradoras da ação que culminou na liminar da “cura gay”, Marisa Lobo é lobista da “ideologia de gênero” no Congresso, apoiadora de Eduardo Cunha e responsável pelo laudo que apontou que Patrícia Lélis, jornalista que acusou Feliciano de abuso sexual, seria “mitomaníaca”. Acontece que a jornalista jamais foi consultada pela psicóloga

Por Redação

Marisa Lobo, psicóloga evangélica, voltou a ser notícia essa semana a partir da repercussão da ação popular contra uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que culminou na decisão liminar que abre caminho para que homossexuais sejam tratados como doentes.

Ela é uma histórica defensora da “cura gay”, tipo de pensamento de que homossexuais possam ser tratados que permeia a liminar, e chegou a ter o seu registro profissional cassado Conselho Regional de Psicologia do Paraná por misturar suas crenças religiosas com a ciência. Meses depois, a decisão foi revertida por instâncias superiores.

Com a cassação de seu registro profissional, surfou na onda da fama para passar a atuar como uma “lobista religiosa” e articular todo o seu fundamentalismo com parlamentares no Congresso. Entre encontros com figuras como Marco Feliciano e Silas Malafaia, foi apoiadora ferrenha do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, tecia elogios a Eduardo Cunha e ainda posou ao lado do ministro da Saúde, Ricardo Barros, com seu livro “A ideologia de gênero na educação”. Foi ela também uma das articuladoras da campanha “bela, recatada e do lar” em apoio à primeira-dama Marcela Temer.

Diante de todo esse “exemplar” currículo como psicóloga, eis que surge agora mais uma informação sobre sua atuação “profissional”: foi ela quem assinou o laudo entregue à Polícia Civil em 2016 apontando que a jornalista Patrícia Lélis seria “mitomaníaca”, como uma forma de invalidar as acusações de abuso sexual que a jornalista havia feito contra o deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), defensor notório da mesma “cura gay” defendida pela psicóloga.

Na época, a Polícia Civil divulgou o laudo sem revelar o nome da médica responsável e informando que Lélis havia sido consultada duas vezes pela profissional para que se chegasse a essa conclusão. À Fórum, Patrícia Lélis revelou que a psicóloga que assinou o laudo é a própria Marisa Lobo, a da “cura gay”, e que jamais foi consultada por ela.

Mais do que isso, Patrícia revelou que ela foi apresentada à psicóloga pelo próprio pastor que denunciou e que, pouco antes de fazer as acusações, foi procurada por Marisa, que a orientava a não revelar o suposto abuso e que dizia, ainda, que Feliciano “tinha problemas como mulheres” mas que, no caso de Patrícia, havia “se apaixonado”, em uma clara tentativa de encobrir o pastor, seu amigo pessoal.

O laudo foi anexado ao inquérito aberto contra Patrícia Lélis por tentativa de calúnia e extorsão contra Talma Bauer, assessor de Feliciano que teria mantido Patrícia em cárcere privado para que ela não revelasse os abusos. Patrícia, então, abriu um processo contra a psicóloga por conta do laudo e já provou na Justiça que não foi consultada por Marisa, já que sequer há sua assinatura no documento. O processo, bem como o do suposto abuso do pastor, ainda não foi concluído.



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