Compositor é processado por chamar ACM Neto de “anão moral”, mas confirma: “é caloteiro”

Manno Góes, músico, cantor, baixista e escritor baiano não economiza nos adjetivos e diz que o prefeito de Salvador deve dinheiro e, além de tudo, é golpista.

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Manno Góes, músico, cantor, baixista e escritor baiano não economiza nos adjetivos e diz que o prefeito de Salvador deve dinheiro e, além de tudo, é golpista.

Da Redação

A vida não anda fácil para o prefeito de Salvador, na Bahia, ACM Neto. Depois de receber uma acusação de assédio por parte da atriz Mônica Iozzi, agora foi chamado de “anão moral”, “caloteiro” e “golposta” pelo compositor, músico, cantor, baixista e escritor baiano Manno Góes. Confiram o desabafo dele em sua página no Facebook:

Oxe?

Processo?

Ok.

Prove que paga direitos autorais.

Não paga, ué.

Vou mostrar não somente a inadimplência; mas também a desfaçatez de contratar artistas por 600 mil e não pagar a parte devida dos autores.

Quem não paga o que deve é o que?

  1. A) caloteiro
    b) caloteiro
    C) caloteiro

“Chamou de “anão”

Não chamei de anão: chamei de “anão moral”.

Minha convicção política faz achar todo golpista um anão moral.

Se a carapuça serviu, não tenho culpa.

Não paga autores, é aliado de Temer e Geddel e se ofende por ser exposto. Anão moral?

Que os autores saibam que estou sendo processado por nos defender.

São pessoas como Riachão que estão sendo processadas diariamente por não receberem seus direitos no carnaval do Pelourinho.

São pessoas como Gerônimo que estão sendo processadas por não terem seus direitos autorais pagos depois de milhares de pessoas cantarem É d’oxum.

É cada fã de Luís Caldas que se entristece por ver seu artista cheio de Fricote não receber nada no carnaval.

É Targino Godim que não recebe nada por sua música “esperando na janela” não lhe render os frutos de sua criação no São João de Salvador.

É Big Ben, que vive de gentilezas, por não ganhar nada por suas obras.

É Gigi, é Thierry, é Olodum que estão sendo processados.

É o grito de “socorro” de cada compositor que está sendo processado.

É uma prefeitura inadimplente que processa a voz de quem repudia sua política negligente para com os autores, sementes da Instrução da nossa história musical.

Não sou eu que estou sendo processado.

É a música baiana.

É o “não silêncio”.

É o cansaço.

Cada autor que não recebe seus direitos está sendo processado junto a mim.

Somos nós contra uma administração que não nos paga o que é devido.

Não sou eu que estou sendo processado; é a combatividade; é o pedido de ajuda; é o direito de pagar o pão nosso de cada dia.

Sou compositor.

Vivo de música e das músicas que faço e fiz.

Todo autor vive disso e merece sua recompensa pela sua contribuição intelectual.

Temos sim que reclamar! Que nos manifesta.

Se não pudermos ter o direito de reclamar por nós, quem nos defenderá?

Estamos cansados demais de políticas sociais injustas.

Queremos apenas o que nos pertence por direito.

Não sou eu que estou sendo processado por ACM Neto, prefeito que não paga direitos autorais desde sua primeira gestão.

É cada compositor baiano que não tem dinheiro para pagar a escola da filha, vendo sua música tocando em cada carnaval, em cada festa de réveillon, em cada festival da primavera, inverno ou verão. Eventos que custam fortunas e pagam outras fortunas a cada artista que se apresenta.

O compositor não tem o microfone na mão.

O compositor não tem capa de revista.

O compositor não aparece em filmes ou capas de jornais.

O compositor… compõe.

E o mínimo que queremos é dignidade.

O processo movido por ACM Neto contra mim — por revelar seu desprezo pelos autores baianos — revela sua necessidade de defesa arbitrária e seu comportamento autoritário, que não aceita críticas.

Ele sabe que está errado.

Todo mundo sabe.

Direitos autorais não são caros para quem paga; mas valem muito para quem recebe.

Quem não recebe, somos nós, autores.

Porque no carnaval, todos ganham. Menos nós; que fazemos as músicas que vocês cantam e que atraem turistas do mundo inteiro.

Não sou eu que irei me defender do processo.

É a música baiana e todos os autores e foliões que saberão, enfim, que a prefeitura não paga direitos autorais para as pessoas que fazem você sorrir.

O autor existe.

Eu existo.

E milhões de compositores (invisíveis da mídia) existem também.

Que todos saibam que Neto não paga direitos autorais.

Ele passará… nós, passarinho.

Vida longa aos compositores!

Foto: Reprodução/Facebook

 



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