Juiz libera peça com Jesus Trans: “A liberdade de expressão tem de ser garantida e não cerceada”

“Censurar arte é censurar pensamento e censurar pensamento é impedir desenvolvimento humano”, disse o juiz em sua decisão Por Catraca Livre Em decisão...

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“Censurar arte é censurar pensamento e censurar pensamento é impedir desenvolvimento humano”, disse o juiz em sua decisão

Por Catraca Livre

Em decisão liminar, o juiz José Antônio Coitinho, da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Porto Alegre, determinou a continuidade da exibição da peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, em que Jesus é retratado como uma mulher trans.

O espetáculo está programado para ficar em cartaz na Pinacoteca Rubem Berta, na capital gaúcha, entre os dias 21 e 22 de setembro. “No popular, diríamos, irá quem quiser ver. Não se pode simplesmente censurar a peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, sob argumento de que estamos em desacordo com seu conteúdo. A liberdade de expressão tem de ser garantida – e não cerceada – pelo Judiciário”, declarou o magistrado.

“Censurar arte é censurar pensamento e censurar pensamento é impedir desenvolvimento humano. […] Na ficha técnica consta classificação: 16 anos. A nossos filhos em tenra idade não alcançará, a não ser que assim desejemos e para tanto diligenciemos. Não há falar em agressão à cultura ou à formação do caráter de quem quer que seja”, acrescentou.

A peça teatral é de autoria da dramaturga trans escocesa Jo Clifford. Em cena, a atriz travesti Renata Carvalho é a protagonista e interpreta Jesus Cristo, o que provocou protestos de católicos e outras vertentes do cristianismo.

“Vamos garantir a liberdade de expressão dos homens, das mulheres, da dramaturga transgênero e da travesti atriz, pelo mais simples e verdadeiro motivo: porque somos todos iguais”, completou o juiz. Ele chegou a comparar o caso com o atentado ao jornal satírico francês Charlie Hebdo, em 2015.

“Ao juiz é vedado proibir que cada ser humano expresse sua fé ou a falta desta da maneira que melhor lhe aprouver. Não lhe compete essa censura. Há pouco tempo, assistimos ao assassinato de cartunistas franceses do Charlie Hebdo, que satirizaram questões religiosas. Na essência, foram censurados. Censurados por expressar sua maneira de pensar”, concluiu Coitinho.

Foto: Divulgação/Ligia Jardim



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