Professores municipais de Palmas estão há mais de 30 horas em greve de fome

Prefeitura não dialoga com movimento grevista, que reivindica direitos como o pagamento da data-base, progressões, titularidade, retroativos, cumprimento do Plano de Carreira (PCCR), além da eleição dos diretores das escolas municipais.

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Prefeitura não dialoga com movimento grevista, que reivindica direitos como o pagamento da data-base, progressões, titularidade, retroativos, cumprimento do Plano de Carreira (PCCR), além da eleição dos diretores das escolas municipais.

Da Redação

Em função da intransigência do prefeito da Palmas (TO), Carlos Amastha (PSB), que se recusa a dialogar com professores em greve e afirmou que os pontos serão cortados na folha de pagamento, sete docentes resolveram, no último dia 20, às 17h30, fazer uma última refeição e entrar em greve de fome. São eles: Antonio Chadud, Neilon William, Pinheiro Alves, Márcio Brasil, Tahina Paz, Fábio Lopes e Vinícius Luduvice.

Desde o dia 5 de setembro, profissionais da educação de palmas, capital do Tocantins, estão em greve e, desde o dia 13, ocupam a Câmara Municipal de Palmas em busca de soluções junto ao legislativo e a Prefeitura.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Tocantins (Sintet), os professores reivindicam a realização de eleição para a função de direção de escola, pagamento de reajuste salarial e pagamento de direitos garantidos em lei e que estão atrasados desde 2013.

“Tomamos essa decisão de entrar em greve de fome porque não acreditamos mais no diálogo. Já tentamos diálogo por meio da Câmara de vereadores, Assembleia Legislativa e até mesmo diretamente no gabinete do Secretário Municipal de Educação, porém, não houve evolução. Essa greve de fome é em solidariedade aos trabalhadores que tiveram o ponto cortado e vamos continuar com a greve de fome até que seja revestido este corte dos trabalhadores que reivindicam apenas o cumprimento de leis”, afirmou Fábio Lopes.

Os professores estão sendo acompanhados por profissionais de saúde voluntários.

Ocupação na Câmara

O vereador José Folha (PSD), presidente da Câmara e base aliada do prefeito Amastha no legislativo, tentou expulsar os grevistas do local, cortando a água do prédio, porém doze vereadores cederam seus gabinetes para os professores e conseguiram um carro pipa para abastecer a Casa. Em áudio vazado no Whatsapp, o vereador chamou os professores de “imundos”.

Pais apoiam movimento

Na manhã de quinta-feira, 21, pais de alunos da rede municipal procuraram a Defensoria Pública do Estado para resguardar os direitos dos filhos, alegando que a prefeitura, ao negar diálogo com os professores, colocou pessoas contratadas inabilitadas nas salas de aula. Em visita às escolas, vereadores da Câmara Municipal confirmaram a presença de profissionais sem formação adequada nas escolas.

Além disso, alguns pais também protocolaram junto ao Núcleo da Infância e Juventude da Defensoria denúncia contra as direções das escolas em greve, que estariam coagindo pais de alunos, por meio de aplicativos de Whatsapp, a levarem seus filhos para as aulas mesmo sem os professores titulares. Os diretores alegam que serão descontadas as faltas dos alunos.

Em Palmas, os diretores das escolas são indicados pela prefeitura

O Sintet afirma que as escolas são usadas como parte das estruturas de campanha dos gestores, que distribuem cotas de escolas para deputadas/os, vereadores/as e lideranças locais. Uma das reivindicações dos professores é a eleição dos diretores pela comunidade e corpo docente, garantindo maior autonomia para as escolas.

Passeata

Pais, alunos, professores e a população farão uma passeata em protesto em frente à Prefeitura, às 7h30 desta sexta-feira, 23, em busca de diálogo com a prefeitura.



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