Lady Gaga, um antídoto contra o mau gosto e o preconceito

“Dentro das bolhas esparsas dos que ouvem Chico Buarque, Miles Davis ou Pink Floyd, ela é execrada no melhor estilo ‘não ouvi e não gostei’. No entanto, um ouvido um tanto mais atento e...

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“Dentro das bolhas esparsas dos que ouvem Chico Buarque, Miles Davis ou Pink Floyd, ela é execrada no melhor estilo ‘não ouvi e não gostei’. No entanto, um ouvido um tanto mais atento e aberto e alguns minutos bastam para perceber que se trata de uma das melhores artistas do pop contemporâneo em muito tempo”. Leia mais no artigo de Julinho Bittencourt

Por Julinho Bittencourt

Dentro das bolhas esparsas dos que ouvem Chico Buarque, Miles Davis ou Pink Floyd, ela é execrada no melhor estilo ‘não ouvi e não gostei’. No entanto, um ouvido um tanto mais atento e aberto e alguns minutos bastam para perceber que se trata de uma das melhores artistas do pop contemporâneo em muito tempo.

Sua música é excelente, seus clipes, com os figurinos burlescos, a sua performance e, sobretudo, a sua voz que encantou até Tony Bennett, a ponto do cantor fazer um disco inteiro com ela, são das melhores coisas que circulam por ai hoje em dia.

O disco “Tony Bennett & Lady Gaga – Cheek to Cheek”, apesar de agradar a ouvidos mais chatos, não é nem de longe o seu mais forte, posto que se trata de algo que, apesar de muito bem feito, já foi feito e refeito muitas vezes por vários talentos inesquecíveis.

O bom mesmo são os seus álbuns solos. Stefani Joanne Angelina Germanotta, ou Lady Gaga, nasceu em Manhattan, estado de Nova Iorque (EUA), em 1986, e aprendeu um pouco de tudo no show business. É dançarina, cantora, atriz, produtora, modelo e ativista.

Gaga não queimou a largada. Seu primeiro disco, o excelente “The Fame”, lançado em 2008, foi um estrondo de crítica e público. Duas de suas canções, “Just Dance” e Poker Face” chegaram ao primeiro lugar das paradas em vários países e o álbum abiscoitou dois prêmios Grammy.

Mas, o seu melhor mesmo ainda estava por vir. No ano seguinte lançou o EP (extended play) “The Fame Monster”, que contém as canções “Telephone”, “Alejandro” e o mega hit “Bad Romance”. Em 2010, alcançou a marca de 10 milhões de cópias, o álbum mais vendido do ano no mundo todo.

De acordo com o Wikipedia, Lady Gaga já vendeu um número estimado de 27 milhões de álbuns e 66 milhões de singles no mundo. Mas tudo bem, vendas não são e nem nunca foram exatamente um parâmetro de qualidade.

O fato é que, como já dito anteriormente, Lady Gaga dignifica o pop. Tudo nela é extremamente completo e surpreendente. A sua atitude no palco e em clipes, seus figurinos, a sua performance e a música, principalmente a música, repleta de surpresas, melodias excelentes e arranjos impecáveis, a fazem merecer de sobra toda a fama e reconhecimento que tem.

Não fosse tudo isso, e também por tudo, Lady Gaga é uma ativista das causas GLBT. Empurrada pela legião de fãs gays, que a acompanham lealmente mundo afora, fundou, em 2012, a Born This Way Foundation, uma instituição humanitária sem fins lucrativos, cujo objetivo é a capacitação e conscientização dos jovens em questões como o bem-estar, bullying, LGBT, auto-confiança e outros temas.

No final das contas, é isso. Lady Gaga é tudo o que foi dito e, ainda por cima, extremamente divertida, dançante e espirituosa. No lamaçal que virou o mercado da música, ela é um oásis que merece ser ouvido, e muito, com todo o respeito devido.

Um antídoto contra o mau gosto e o preconceito.



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