Ricardo Stuckert faz foto histórica para livro “Índios Brasileiros”

“Para fazer o retrato de alguém é preciso estar conectado com o universo dessa pessoa. O fotógrafo precisa se permitir para que a outra pessoa possa confiar em...

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“Para fazer o retrato de alguém é preciso estar conectado com o universo dessa pessoa. O fotógrafo precisa se permitir para que a outra pessoa possa confiar em você o tempo necessário”, escreveu o fotógrafo ao divulgar esta bela imagem do cacique Raoni que, preocupado, voltou à floresta amazônica diante das investidas dos madeireiros

Por Ricardo Stuckert, em seu Facebook

Para fazer o retrato de alguém é preciso estar conectado com o universo dessa pessoa. O fotógrafo precisa se permitir para que a outra pessoa possa confiar em você o tempo necessário para que registre de forma única aquele momento.
Fotografar o cacique Kayapó Raoni Metuktire para o livro ÍNDIOS BRASILEIROS foi um privilégio. A história de vida dele sempre me despertou admiração.

Raoni é fundador do movimento para preservação das florestas tropicais e representa o símbolo vivo da luta pela preservação da cultura indígena.

Reproduzo um texto de autoria do próprio Raoni que vale a pena a leitura.

“Há dez anos, vim para explicar-vos da minha preocupação frente à destruição da floresta amazônica. Eu falei do fogo, do sol escaldante, dos ventos que soprariam se o homem continuar a destruir a floresta.

Vocês me ajudaram e me deram os meios de demarcar nossas terras ancestrais. É fato: é um território imenso, cheio de animais para caçar, de flores e frutos. É a mais bela floresta. Antes de tudo, a todos que nos deram ajuda, eu digo, em nome do povo Kayapó…obrigado…nambikwa… meikumbre.

Estou de volta, hoje, porque minha preocupação voltou. Eu aprendi que vocês também estão inquietos. Os grandes ventos vieram e destruíram sua floresta. Vocês conheceram o medo que nós conhecemos.

Eu lhes digo, se o homem continuar a destruir a terra, os ventos voltarão com mais força… não somente uma vez… mas várias vezes… cedo ou tarde. Esses ventos vão nos destruir.

Respiramos todos um só ar, bebemos todos a mesma água, vivemos todos em uma só terra. Nós devemos protegê-la.

Aqui, a invasão recomeçou. Os madeireiros e os mineiros à procura de ouro não respeitam a reserva. Nós não temos os meios de proteger essa imensa floresta, da qual somos guardiões por todos.

Eu preciso do vosso apoio. E peço antes que seja tarde”.

Raoni Metuktire.



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