Haddad: “Doria fala coisas que não entende e não tem nenhuma experiência na gestão pública”

O ex-prefeito disse ainda que, “a julgar pelo que Doria está fazendo com o Alckmin, eu acho que ele até está me tratando bem”.

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O ex-prefeito disse ainda que, “a julgar pelo que Doria está fazendo com o Alckmin, eu acho que ele até está me tratando bem”.

Da Redação*

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad afirmou, em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar para a série “Cenários 2018”, do “SBT Notícias”, que o seu sucessor, João Doria, “não tem nenhuma experiência administrativa na gestão pública” e “fala coisas sobre as quais ele não entende”.

“O próprio Fernando Henrique [Cardoso, ex-presidente] falou que ele é um bom gestor de Facebook, não é? Isso não sou eu dizendo, é o Fernando Henrique, que é do partido dele. Diz que ele gere bem o celular. (…) Torço para ele dar certo. E eu acho injusto da parte dele, com a transição que eu fiz, reclamar de alguma coisa. (…) Mas, a julgar pelo que ele está fazendo até com o Alckmin, eu acho que ele até está me tratando bem”, declarou.

Haddad disse também que uma delação premiada mentirosa é pior para a democracia do que caixa dois. Afirmou que esse instrumento de investigação precisa ser regulamentado porque temos “um sistema frouxo, onde cada um diz o que quer”.

Para Haddad, o Ministério Público “acordou” para a necessidade de estabelecer critérios mais rigorosos para a colaboração. “O Ministério Público diz: ‘Olha, caixa dois é um crime mais hediondo do que qualquer outro, porque mexe com a democracia’. Uma delação mentirosa mexe com a democracia muito mais!”,

Haddad afirmou que haveria “suposições” e não provas contra o ex-presidente Lula. Ele defende a revisão da sentença do juiz Sergio Moro que condenou Lula. Elencou casos da Lava Jato nos quais existem provas incontestes de corrupção, como os R$ 51 milhões encontrados num apartamento em Salvador, conta aberta em banco no exterior e gravação de pedido de empréstimo milionário depois entregue por mala a um assessor. Não citou nomes, mas se referiu a acusações contra o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o senador Aécio Neves, respectivamente.

Indagado sobre a possibilidade de ser candidato ao Palácio do Planalto em 2018 caso Lula seja impedido juridicamente de concorrer, Haddad disse: “Nós não estamos trabalhando com essa hipótese, porque, primeiro, seria uma grande deselegância com o presidente Lula, do qual eu fui ministro. E você sabe que eu me elegi prefeito, em 2012, muito pela ação do Lula junto ao partido, em me lançar candidato a prefeito. (…) Estamos trabalhando com o que nos parece mais justo, que é uma revisão da sentença”.

Haddad disse que “o investimento privado não substitui o público”. Considerou ser possível manter a dívida pública sob controle e a União fazer investimentos ao mesmo tempo, a fim de que a economia volte a crescer de forma significativa.

Defendeu uma reforma da Previdência que leve em conta a desigualdade social. “Tem uma parte da população brasileira que vai viver em média 85 anos e tem uma parte da população brasileira que não passa dos 65. É uma diferença muito grande entre uma coisa e outra. A população rural tem outro tipo de vida, são outras as dificuldades. Nós deveríamos levar em consideração a desigualdade no Brasil para fazer uma reforma um pouco mais justa”, disse.

*Com informações do Blog do Kennedy

Foto: Reprodução SBT



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