Jovens católicos organizam ‘terço’ contra peça com Jesus Trans

Movimento é ligado ao TFP (Tradição, Família e Propriedade), uma das heranças reacionárias da ditadura militar.

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Movimento é ligado ao TFP (Tradição, Família e Propriedade), uma das heranças reacionárias da ditadura militar.

Da Redação

Movimentos reacionários reafirmam sua origem e suas intenções, em cada novo ato, pregando em nome de religiões e falando em nome “da família”. Desta vez, um grupo de jovens do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira organiza um “terço público”, nesta sexta-feira (29), em frente à Catedral de Santo Amaro.

Eles protestam contra a exibição da peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, que recentemente sofreu censura em Jundiaí, no interior de São Paulo, por mostrar Cristo na pele de uma mulher transgênero. Atualmente a peça está em cartaz na capital paulista, no Sesc Santo Amaro.

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Estes jovens se intitulam “discípulos do saudoso líder católico” Plínio Corrêa de Oliveira, um dos principais apoiadores no âmbito religioso e civil do golpe de 1964, que derrubou o presidente João Goulart e instaurou a ditadura militar no Brasil. Foi Plínio quem fundou a TFP (Tradição, Família e Propriedade), uma das heranças reacionárias dos anos de chumbo.

Por outro lado, quanto mais os grupos reacionários tentam censurar e calar a arte, mais ela ganha força. Após a censura, o juiz José Antônio Coitinho, da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Porto Alegre, determinou a continuidade da exibição da peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”.

“No popular, diríamos, irá quem quiser ver. Não se pode simplesmente censurar a peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, sob argumento de que estamos em desacordo com seu conteúdo. A liberdade de expressão tem de ser garantida – e não cerceada – pelo Judiciário”, declarou o magistrado.

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“Censurar arte é censurar pensamento e censurar pensamento é impedir desenvolvimento humano. […] Na ficha técnica consta classificação: 16 anos. A nossos filhos em tenra idade não alcançará, a não ser que assim desejemos e para tanto diligenciemos. Não há falar em agressão à cultura ou à formação do caráter de quem quer que seja”, acrescentou.

*com informações da coluna de Mônica Bergamo na Folha
Foto: Divulgação/Ligia Jardim



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