Estudante que entrou na UFMG por meio de cotas se justifica: “Sou parda”

Rhuanna Laurent, do primeiro período de Medicina da UFMG, resolveu se manifestar depois da polêmica de que alunos brancos estariam usando o sistema de cotas para negros, pardos e indígenas para ingressar na universidade:...

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Rhuanna Laurent, do primeiro período de Medicina da UFMG, resolveu se manifestar depois da polêmica de que alunos brancos estariam usando o sistema de cotas para negros, pardos e indígenas para ingressar na universidade: “Me autodeclarei parda, dentro da legalidade”

Por Redação

Após a polêmica de que estudantes brancos teriam utilizado o sistema de cotas para negros, pardos e indígenas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para ingressar no curso de Medicina, uma das alunas beneficiadas pela política afirmativa resolveu se manifestar.

O nome dela foi citado em algumas reportagens entre os alunos que teriam “burlado” o sistema de cotas criado para que negros e indígenas, historicamente excluídos do meio acadêmico, pudessem acessar a universidade. Pelo Facebook, Rhuanna Laurent, de 19 anos, afirmou que em nenhum momento burlou a lei, que é parda e assim se autodeclarou, sem receber nenhum impeditivo por parte da universidade.

“Fiz tudo dentro da lei, estando amparada legalmente em todos os meus atos e o mais importante, me autodeclarei parda, o que realmente sou e não negra, dada a origem de minha família”, escreveu. Após críticas, a estudante restringiu o acesso ao seu Facebook e a postagem não está mais disponíveis. Em entrevista ao jornal Estado de Minas, no entanto, reafirmou sua posição e disse que tem descendência de índios, e que por isso pode ser considerada “parda”.

“Eu me autodeclarei parda, pois é o que sou. Descendo de negros e índios. Esta é a minha etnia, o meu contexto familiar. Nunca me autodeclarei negra”, disse. Por essa lógica, a maioria da população do país poderia se considerar “parda”, independente da cor da pele, já que índios e negros, na miscigenação com brancos europeus, basicamente formaram a sociedade brasileira.

Criado em 2009, o sistema de cotas da UFMG funciona da seguinte maneira: quando o candidato se autodeclara negro, pardo ou indígena, concorre a uma vaga dentro do subgrupo que se colocou [são quatro variações na universidade]. As notas de corte para cotistas chegam a ter 28 pontos a menos no Enem do que na ampla concorrência.

Foto: Reprodução/Facebook

 



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