Apesar do caos diário vivido pela população, secretário de Alckmin diz que “governo prioriza a mobilidade”

O fato, no entanto, é que Alckmin nunca entregou uma obra de mobilidade dentro do prazo Por Luiz Henrique Dias “Uma encenação”. Foi assim que um dos deputados de oposição ao governo Alckmin classificou...

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O fato, no entanto, é que Alckmin nunca entregou uma obra de mobilidade dentro do prazo

Por Luiz Henrique Dias

“Uma encenação”. Foi assim que um dos deputados de oposição ao governo Alckmin classificou as falas do Secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, e dos presidentes do Metrô, da CPTM e da EMTU, nesta terça-feira (03), para os deputados membros da Comissão de Assuntos Metropolitanos da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Chamada pela Comissão de Assuntos Metropolitanos do Legislativo, os gestores ligados à Alckmin compareceram para responder as perguntas de parlamentares sobre o andamento dos investimentos em mobilidade mas vieram munidos de fotos, gráficos e filmes, que tomaram boa parte do tempo da reunião.

Em sua fala inicial, Clodoaldo elogiou a própria pasta e o Governador, ignorando o caos diário, a falta de investimentos e as inúmeras denúncias envolvendo os administradores do transporte paulista, dizendo que Alckmin prioriza a mobilidade.

Obras no Metrô

Alckmin nunca entregou uma obra de mobilidade no prazo.

Todas as linhas em construção – e as paradas por problemas de diversas espécies – estão atrasadas. Muitas, inclusive, com quase uma década do prazo inicial previsto. Além dos custos com aditivos.

Modernização da frota

Menezes de Figueiredo falou do processo de modernização da frota e dos atuais 98 trens em processo de adaptação nas fábricas modernizadoras e tornou – ao molde do secretário – a elogiar a gestão dos transportes na região metropolitana de São Paulo.

No entanto, o Ministério Público vem alertando a Justiça e a imprensa sobre o elevado preço dos trens reformados, que seriam mais caros que os novos, além de apresentarem muito mais problemas.

O Promotor de Justiça do Patrimônio Público e Social Marcelo Milani chegou a afirmar, depois de constatar mais de 700 falhas em uma única frota modernizada e em operação na Linha 3 – Vermelha, que os trens reformadoa estariam “fadados ao fracasso”.

Ainda, em 2014, foi aberto um inquérito questionando o valor das reformas dos trens da linha 1-Azul e 3-Vermelha do metrô, uma vez que os levantamentos do MP constataram os trens reformados acabaram custando mais caro do que é gasto na compra de novos. Ao Ministério Público, o governo e o Metrô entenderam que ao invés de comprar trens novos, reformar os já existentes teria um custo muito inferior.

Licitação suspensa, mas silêncio do Governo

Em sua fala, o Presidente do Metrô evitou falar da suspensão da licitação das linhas 5 e 17, que tinham previsão de privatização no último dia 28 de setembro, por determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), depois de uma representação feita pela Bancada do PT na Alesp.

O Tribunal acatou a representação por conta de suspeitas de irregularidades no certame e das denúncias de preços muito abaixo do razoável: o preço mínimo para exploração das linhas seria apenas cerca de 2% dos custos das obras, pagos com recursos públicos.

Não há consenso

Pelissioni e Paulo Menezes de Figueiredo divergiram quanto à explicação da queda dos usuários “pagantes” no sistema. Para o Secretário, a crise foi o elemento principal da queda e para Menezes foram as gratuidades as responsáveis pela queda. O Governo do Estado tem sido contrário à novas gratuidades e entendido como custos o aumento dos benefícios.

Comentário: PPP é piada

Já na avaliação das contas do Governador, membros do TCE avisaram sobre o modelo de PPP (Parcerias Público Privadas) adotados por Alckmin: “Entendo que este tribunal deve acompanhar bem de perto essas contratações. (…) Não vejo cabimento que se faça uma PPP quando o parceiro privado não tem capacidade financeira para assumir seu compromisso e vai a órgãos do Governo buscar financiamento e o Governo “parceiro” ainda se tornar garantidor do empréstimo privado”, escreveu o Conselheiro Antonio Roque Citadini em seu voto das contas de Alckmin.

O Governo do Estado de São Paulo joga para outro lado, que não é o da população, maqueia dados, informações e a realidade do dia a dia no caótico sistema metropolitano de transportes.



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