Câmara de SP aprova instalação de chips em uniformes escolares

Parlamentares reclamam que falta dinheiro para merenda e contratação de professores, mas querem gastar muito com iniciativa no mínimo questionável.

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Parlamentares reclamam que falta dinheiro para merenda e contratação de professores, mas querem gastar muito com iniciativa no mínimo questionável.

Da Redação*

Parece que boa parte dos vereadores de São Paulo não está muito preocupada com a crise financeira. A Câmara Municipal aprovou um projeto de lei, que estabelece a instalação de chips eletrônicos nos uniformes escolares de alunos da rede municipal de ensino. O texto, de autoria do vereador Camilo Cristófaro (PSB), segue agora para sanção do prefeito João Doria.

O projeto foi aprovado por votação simbólica (não há registro individual de votos). Entre os presentes, apenas dez parlamentares foram contra a aprovação. Para Sâmia Bonfim (PSOL) (foto), a medida não é efetiva e custaria muito dinheiro aos cofres públicos. “Em um ano em que temos problemas de distribuição de uniformes para alunos da rede municipal, falta de merendas e redução do número de professores em São Paulo, a implementação dos chips não deveria ser prioridade”, critica. Além disso, ela afirma que o projeto se baseia em uma lógica de controle, que poderia ser mal exercido pelos pais mesmo quando os alunos estivessem dentro do ambiente escolar.

De acordo com o projeto, os chips serão colocados no brasão das camisetas de uniforme fornecidas aos estudantes das Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEF’s). O dispositivo eletrônico enviará mensagens automáticas de texto aos celulares dos pais das crianças, informando os horários que elas entraram e saíram da escola.

Um exemplo que de que iniciativa tem grandes chances de dar errado é o caso em Vitória da Conquista, na Bahia. Um projeto similar foi aprovado na cidade, em 2012, e sua implantação teve um custo de mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos. Além disso, foram registrados inúmeros “alarmes falsos”. Resultado: o projeto foi abandonado um ano depois da instalação.

Ainda em 2012, escolas de Brasília decidiram restar o modelo. A psicóloga Ângela Uchôa Branco disse, à época, que se posicionava contra a ideia: “Isso é péssimo, porque não permite a eles o desenvolvimento de uma coisa mito importante, que é e liberdade com responsabilidade”.

*Com informações da Agência Brasil e do Minha Sampa

Foto: André Bueno/Câmara Municipal de São Paulo



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