Doria: “Você acha que pobre tem hábito alimentar? Se comer, tem que dizer graças a Deus”

Frase foi dita em 2011, quando Doria apresentava o programa “O Aprendiz”, em um momento em que discutia com os participantes “alimentação saudável” para moradores de rua. Agora como prefeito, seguiu na mesma linha...

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Frase foi dita em 2011, quando Doria apresentava o programa “O Aprendiz”, em um momento em que discutia com os participantes “alimentação saudável” para moradores de rua. Agora como prefeito, seguiu na mesma linha ao anunciar a “ração humana”. Assista

Por Redação

A vereadora Sâmia Bomfim (PSOL-SP) postou em suas redes sociais um vídeo que mostra o prefeito João Doria (PSDB) já em 2011 expondo o que viria a concretizar, este ano, com o lançamento da polêmica “ração humana” – um granulado de restos de alimentos processados que seria distribuídos a moradores de rua em São Paulo.

Na ocasião do vídeo, Doria era apresentador do programa da Record “O Aprendiz”, um reality show de empresários que, nos Estados Unidos, era apresentado por Donald Trump. Neste episódio em questão, o tucano discutia com os participantes uma tarefa que consistia em fornecer “alimentação de qualidade” a moradores de rua quando disparou a frase que já dava uma prévia do “Allimento” que iria lançar como prefeito.

“Você acha gente humilde, pobre, miserável vai ter hábito alimentar? Se ele se alimentar, tem que dizer graças a Deus”, disse.

O programa Alimento para Todos foi lançado em um vídeo nas redes sociais publicado pelo prefeito na semana passada e anunciado na página da Secretaria de Direitos Humanos. De acordo com o texto, o programa faria a distribuição de um composto, feito com base em alimentos que não seriam vendidos, para populações com carências nutricionais. O resultado é uma uma espécie de pedra sem cor, que mais parece uma ração, e teria o nome de “allimento”. A distribuição seria feita a partir de uma parceria com a empresa Plataforma Sinergia.

O Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região (que engloba São Paulo) manifestou posição contrária à proposta, entendendo que ela “contraria os princípios do Direito Humano à Alimentação Adequada”.

Depois da péssima repercussão, a prefeitura de São Paulo não aguentou a pressão e voltou atrás sobre sua decisão de lançar o programa. A última informação é que não existe nenhuma parceria firmada e que ainda não sabe se distribuirá o produto.

 



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