“No momento, o importante é manter a resistência contra o retrocesso”, diz Boulos sobre possível candidatura à presidência pelo PSOL

Em entrevista à Fórum, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) afirma que tem uma excelente relação com o partido, mas "não devemos atropelar o processo".

497 0

Em entrevista à Fórum, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) afirma que tem uma excelente relação com o partido, mas “não devemos atropelar o processo”.

Por Lucas Vasques

“Tenho uma excelente relação com o PSOL. Estamos conversando e discutindo a perspectiva de construção de um novo programa de esquerda para o país. Não devemos atropelar o processo, ainda mais nesse momento de grandes retrocessos sociais e de perda de direitos. É importante manter o foco na resistência”. É dessa forma que o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos respondeu à Fórum sobre a possibilidade de ser escolhido como candidato à presidência da República em 2018, pelo PSOL.

No entanto, questionado se exclui essa hipótese, Boulos adiantou que “não se trata de confirmar ou descartar. O importante, neste momento, é discutir um projeto de país, que não se passa, necessariamente, pela agenda eleitoral. O PSOL está apresentando uma possibilidade e estamos conversando”, destacou.

Boulos ressaltou que o panorama atual do Brasil é crítico. Na próxima semana, no dia 25, haverá a votação no plenário da Câmara do relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), que trata da segunda denúncia contra Michel Temer (PMDB). Os 513 deputados decidirão, na prática, se o Supremo Tribunal Federal (STF) poderá ou não julgar a denúncia. “Mais uma razão para manter o foco na resistência, pois é óbvio que está sendo preparada novamente uma operação para salvá-lo, à custa da distribuição de emendas parlamentares”, avalia. Além disso, prossegue Boulos, há outras manobras que representam o retrocesso, como a possibilidade de votar a reforma da Previdência.

Entre as lideranças do PSOL, já se fala no nome de Boulos com certa ênfase. Isso porque, após três meses de conversas, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) decidiu que não será o candidato do partida à presidência, pois vai tentar o Senado. “O PSOL vai fazer uma sinalização em direção ao Boulos. Ele tem posições ideológicas e programáticas bastante próximas do partido e agora devemos convidá-lo para uma reunião da direção”, disse o deputado Ivan Valente (PSOL-SP).

Enquanto isso, Boulos prefere não se aprofundar no assunto, pois reafirmou que a preocupação no momento também é a ocupação de oito mil famílias em São Bernardo do Campo, que, segundo ele, “aguarda uma saída negociada, sem violência”. No entanto, as articulações de bastidores se intensificam cada vez mais. O líder do MTST tem se dedicado ao Vamos!, uma plataforma inspirada no Podemos, da Espanha, e na Geringonça, de Portugal. O grupo reúne, além de representantes do PSOL, setores do PT, PCdoB e militantes de organizações de esquerda não partidárias para a discussão de um programa para 2018.

Foto: YouTube

 



No artigo

x