Corpo do ativista argentino Santiago Maldonado é encontrado e reconhecido pela família

Mobilizações estão sendo convocadas na Argentina para denunciar que o “Estado é o responsável” por sua morte; ativista, tido como o primeiro desaparecido político da era Macri, foi visto pela última vez sendo arrastado...

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Mobilizações estão sendo convocadas na Argentina para denunciar que o “Estado é o responsável” por sua morte; ativista, tido como o primeiro desaparecido político da era Macri, foi visto pela última vez sendo arrastado pela polícia enquanto participava de um protesto em defesa de terras indígenas

Por Redação*

A família de Santiago Maldonado, ativista político argentino desaparecido há dois meses e meio, confirmou que o corpo encontrado em um rio na última terça-feira (17) é do jovem, que tinha 28 anos. Em uma carta divulgada na noite desta sexta-feira (20), a família confirmou que as tatuagens no corpo encontrado correspondem com a de Maldonado e que, “a incerteza sobre seu paradeiro acabou”, mas que continuarão lutando até obter justiça e identificar quem foram os responsáveis por seu desaparecimento.

Semanalmente movimentos sociais e organizações de direitos humanos da Argentina vem saindo às ruas para responsabilizar o governo de Maurício Macri pelo sumiço e, agora, a morte do jovem, que está sendo considerado o primeiro desaparecido político da era Macri. Os movimentos convocaram uma mobilização para a noite desta sexta-feira, no Obelisco de Buenos Aires, capital argentina, denunciando a responsabilidade do Estado na morte de Santiago, exigindo justiça e a renúncia de Patricia Bullrich, a ministra de Segurança.

Maldonado foi visto pela última vez em 1º de agosto, na província de Chubut, a 80 quilômetros de Bariloche. Ele participava de um protesto em prol de terras indígenas ancenstrais que foi reprimido pela polícia. Testemunhas informaram que viram Maldonado sendo arrastado por policiais.

Confira, abaixo, a íntegra da carta divulgada pela família do jovem sobre o caso.

¨O corpo encontrado no rio Chubut é de Santiago.

A incerteza sobre o paradeiro terminou. O calvário de nossa família começou no mesmo dia que soubemos do seu desaparecimento e não terminará até obter justiça.

Muito pouco podemos dizer sobre nossos sentimentos ante a confirmação da identidade de santiago: esta dor não conhece palavras.

As circunstâncias da descoberta do corpo nos geraram muitas dúvidas. Acreditamos que este momento é de avançar com firmeza na investigação e deixar trabalhar sem pressões o juiz Gustavo Lleral. Precisamos saber o que aconteceu a Santiago e quem são os responsáveis por sua morte. Todos. Não só os que lhe retiraram a vida, mas também os que por ação ou omissão colaboraram pelo encobrimento e prejudicaram o processo de busca.

Estávamos certo ao reclamarmos da inércia, ineficácia e parcialidade do Juiz anterior na tramitação de nossa causa. Não tivemos explicação da negativa do governos diante do oferecimento da colaboração de especialistas da ONU, de comprovada experiência internacional. Ninguém pode tirar da nossa cabeça que podiam ter feito muito mais e mais cedo ainda.

Aos meios de comunicação,as organizações sociais, organizações de direitos humanos, grupos, as pessoas que tem nos acompanhado nas marchas por Santiago, pedimos que sigam reclamando por justiça, com mais força que nunca e em paz. As forças políticas que façam o maior esforço para apoiar e garantir todas as ações que nos ajude encontrar a verdade e conseguir a justiça.

A morte de Santiago não deve ser motivo para divisões ou lances de oportunistas. Ninguém tem direito sobre a dor desta família, para estes pedimos respeito.¨

*Com informações do Brasil de Fato e UOL



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