Temer começa a entregar o pré-sal a preço de banana

Será a primeira vez que petroleiras privadas poderão participar como operadoras em uma licitação sob regime de partilha, desde o fim da exclusividade da Petrobras

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Será a primeira vez que petroleiras privadas poderão participar como operadoras em uma licitação sob regime de partilha, desde o fim da exclusividade da Petrobras

Da Redação*

Após arrecadar R$ 3,8 bilhões com a 14ª rodada de licitações de blocos exploratórios, em setembro, o governo espera obter esta semana mais R$ 7,75 bilhões para os cofres da União com os dois leilões do pré-sal marcados para sexta-feira. Será a primeira vez que petroleiras privadas poderão participar como operadoras em uma licitação sob regime de partilha, desde o fim da exclusividade da Petrobras.

No fim de semana, teve destaque internacional a opinião de especialista que afirma que o Brasil está vendendo o pré-sal a “preço de banana” para o capital internacional.

Dentre as 16 empresas habilitadas para as duas licitações, sete tentam estrear no pré-sal brasileiro: Petronas, BP Energy, Qatar Petroleum, CNODC, Ouro Preto (OP Energia), Ecopetrol e a ExxonMobil, que adquiriu oito blocos com potencial para o pré-sal, na 14ª rodada, mas ainda não possui descobertas confirmadas.

A presença das grandes petroleiras na licitação das áreas da Bacia de Campos, em setembro, alimenta as expectativas de que a disputa pelos ativos das rodadas de partilha será acirrada. Na ocasião, o consórcio formado pela Petrobras/Exxon não deu chances para a concorrência e levou todos os seis blocos que disputou, desbancando ofertas de outras gigantes do setor, como Shell, Total, BP, Repsol e CNOOC. Em alguns blocos, o bônus apresentado pela dupla vencedora foi 18 vezes maior que o segundo maior.

Os altos bônus de assinatura pagos pela Petrobras/Exxon sinalizam que as petroleiras terão que calibrar melhor suas ofertas na concorrência desta semana. Mesmo com a disputa, contudo, a arrecadação para este ano está limitada a R$ 7,75 bilhões, já que no regime de partilha o critério de disputa é diferente do modelo de concessão: ao invés de disputarem pelo maior bônus de assinatura (que são fixos), as petroleiras disputarão os ativos pela maior oferta de volume de óleo à União (o excedente em óleo, que só trará receitas ao governo no longo prazo). Os bônus, por sua vez, deverão ser depositados pelas empresas até o final do ano.

*Com informações de reportagem de André Ramalho e Rodrigo Polito no Valor.

Foto: Ricardo Stuckert/PR

 



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