Eleonora Menicucci: “Essa é uma vitória das mulheres brasileiras”

A ex-ministra de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci, falou à Rede Brasil Atual logo após vencer em segunda instância o ex-ator Alexandre Frota

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A ex-ministra de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci, falou à Rede Brasil Atual logo após vencer em segunda instância o ex-ator Alexandre Frota

Da Redação*

Logo após vencer em segunda instância processo que sofre do ex-ator Alexandre Frota, por tê-lo acusado de fazer apologia ao crime de estupro em rede nacional, a ex-ministra de Políticas para Mulheres do Governo Federal, Eleonora Menicucci, falou à Rede Brasil Atual. Para ela, “essa é uma vitória do bom senso, das mulheres brasileiras contra a violência inominável do estupro. Essa luta não é minha, é das mulheres brasileiras”.

“Esse movimento que as mulheres fizeram diz que nós não aceitamos mais a cultura do estupro, a violência contra as mulheres. Nós queremos igualdade de condições, queremos viver livres de qualquer violência, seja ela doméstica, sexual, patrimonial, psicológica, seja ela qual for. Essa demonstração hoje significa que nem tudo está perdido. Precisamos continuar em movimento, somos 52% da população e mãe da outra metade. Nós sabemos o que queremos, é nesse sentido que a nossa luta não acaba”, afirmou Eleonora, cercada por dezenas de mulheres, amigas e desconhecidas que vieram lhe prestar apoio.

“As mulheres brasileiras estão na frente da resistência contra esse golpe cruel na democracia brasileira. Não aceitaremos nenhum direito a menos. Essa mobilização mostrou que é possível as mulheres serem ouvidas, mesmo que seja por um número pequeno de juízes. Mas nós ganhamos e isso tem que reverberar para o mundo, que a Justiça no Brasil, na segunda instância de um tribunal em São Paulo, não reconheceu, não legitimou e não legalizou a cultura do estupro, porque o estupro é um crime hediondo.”

A alguns passos de distância da ex-ministra, outra senhora também de cabelos brancos acompanhava, com serenidade, a alegre celebração. Uma mulher que, assim como Eleonora, também dedicou a vida na luta por um mundo mais justo. E pagou um preço alto por isso: Guiomar Lopes, que ao lado de Eleonora Menicucci, Dilma Rousseff e outras mulheres, esteve presa no presídio Tiradentes durante a ditadura civil-militar.

“Havia uma preocupação muito grande que essa condenação pudesse ser confirmada na segunda instância, na medida que nós não temos uma noção muito clara de que lado está a Justiça hoje, então a absolvição dela tem um significado importante na luta das mulheres”, ponderou Guiomar Lopes, professora da Unifesp e ex-coordenadora de Políticas para Idosos no governo de Fernando Haddad em São Paulo.

“A Leo (Eleonora) tem um papel fundamental, vem de uma trajetória muito longa no movimento feminista e se destacou também como ministra, com políticas para mulheres. Então a hora que ela expôs o caso e conseguiu divulgar o que estava sendo colocado, as mulheres assumiram essa luta, foi muito importante essa mobilização pré-julgamento. Ela é uma figura extremamente respeitada, com uma trajetória importante. As mulheres compraram a causa dela e transformaram isso numa grande luta, colocando em pauta a violência contra a mulher e a cultura do estupro”, disse Guiomar, enquanto esperava a amiga de lutas para dar um abraço.

Veja vídeo da CUT com o depoimento de Eleonora Menicucci:

*Com informações da Rede Brasil Atual

Foto: Rede Brasil Atual

 



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