Prefeitura tucana tenta impedir show de Caetano em ocupação: “Inevitável lembrar do show do Gil na USP em 73”

Em sua coluna, Juliana Borges comenta embargo ao show na ocupação do MTST e rememora show de Gilberto Gil na USP que foi proibido na ditadura militar Por Juliana Borges*...

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Em sua coluna, Juliana Borges comenta embargo ao show na ocupação do MTST e rememora show de Gilberto Gil na USP que foi proibido na ditadura militar

Por Juliana Borges*

#CensuraNuncaMais
Tempos sombrios

Neste momento, a GCM e a Polícia Militar, seguindo ordens da Prefeitura de São Bernardo do Campo (PSDB), impede a entrada dos equipamentos para a realização do show de Caetano Veloso e Péricles logo mais a noite na ocupação Povo sem Medo. Um show, com a presença de diversos artistas, como Sonia Braga, Aline Morais, Leticia Sabatella, etc., pensado como solidariedade e apoio à ocupação à luta por moradia e por direitos.

Em tempos de escalada conservadora, foi inevitável me lembrar de um acontecimento: o show de Gilberto Gil na USP, em 1973. Em plena ditadura militar, em que desaparecimentos, tortura e crimes de toda ordem eram realizados pelas forças repressivas e pelo Estado, após o assassinato de Alexandre Vannuchi Leme, em pleno Estado de Exceção completa, foi realizado um show, clandestino é verdade, de mais de 3h como protesto.

Em tempos de barbárie, já que a Exceção sempre esteve presente desde a nomeação de nosso país como Brasil, numa sociedade politicamente democrática e socialmente fascista, como coloca Boaventura de Sousa Santos, vemos as instituições de repressão proibindo um show. Proibindo que a arte se espraia, subverta e reverta, reflita e se posicione sobre o mundo. Tempos outros, é verdade. Mas quando que a violência e a tortura nos deixaram? Hoje, fica evidente mais uma vez que nunca.

Como nos lembrou Lilia Schwarcz estes dias, os primeiros atos nazistas foram em ataque às artes. Não à toa. E, não a toa, atacam exposições, conferências e shows nestes tempos da barbárie.

E pensávamos ser impossível que o já realizado possível se repetisse. E ele escarra em nossas caras de novo.

*Juliana Borges é pesquisadora em Antropologia na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, onde cursa Sociologia e Política. Foi Secretária Adjunta de Políticas para as Mulheres da Prefeitura de São Paulo (2013)



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