Brasil cai para 90º em ranking de igualdade entre homens e mulheres

De 144 países, no ano passado Brasil estava na 79ª colocação, de acordo com relatório do Fórum Econômico Mundial; desigualdade de gêneros voltou a crescer.

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De 144 países, no ano passado Brasil estava na 79ª colocação, de acordo com relatório do Fórum Econômico Mundial; desigualdade de gêneros voltou a crescer.

Da Redação*

Depois de uma década de avanços na questão da igualdade de gêneros, o Brasil voltou a despencar no ranking do Fórum Econômico Mundial. O país caiu para a 90ª colocação, em um universo de 144 países. No ano passado, ficou em 79º e em 2015, em 85º. O dado mais significativo é que, na primeira edição da pesquisa, realizada em 2006, o Brasil estava em 67º.

De acordo com o relatório Global  Gender Gap Report 2017, divulgado nesta quinta-feira (2), apesar de igualdade de condições nos indicadores de saúde e educação e de “modestas melhorias” em termos de paridade econômica, as mulheres brasileiras ainda enfrentam acentuada discrepância em representatividade política, o que empurra o índice do Brasil para baixo. Mais especificamente, as brasileiras sofrem com baixa participação em ministérios e no Legislativo, e salários mais baixos.

No subíndice “Empoderamento Político”, o Brasil caiu da 86ª posição para 110ª. Dos 513 deputados federais, apenas 51 são mulheres (10% do total). No Senado, elas representam 13 das 81 cadeiras (16%). Já no governo do presidente Michel Temer, somente 2 dos 28 ministérios são ocupados por mulheres (7%).

Segundo o relatório, a renda média da mulher corresponde a 58% da recebida pelo homem – mesmo percentual registrado no ano passado. A média salarial em 2017 é estimada em US$ 11.132 (R$ 36.330) para mulheres e US$ 19.260 (R$ 62.860) para homens.

Na saúde e na educação, as brasileiras têm melhores indicadores. Para cada estudante homem do ensino superior brasileiro, elas ocupam 1,4 vaga. Já a expectativa de vida feminina é de 67,8 anos, frente a 63,1 anos da masculina.

O Brasil é o pior colocado entre as economias do continente, atrás da Argentina (33º), Colômbia (36º), Peru (48º), Uruguai (56º), Chile (63º) e México (81º). Entre os 20 mais bem posicionados, há apenas dois representantes latinos: Nicarágua, em 6º lugar, e Bolívia, em 17º lugar.

No mundo

O relatório, que analisa a conjuntura nas áreas de trabalho, educação, saúde e política,  mostra que a desigualdade de gênero voltou a crescer no mundo pela primeira vez, também depois de uma década de avanços constantes. O estudo, realizado anualmente desde 2006, aponta que, mantido o ritmo atual, será preciso um século para acabar com a distância global entre homens e mulheres em escala mundial, contra os 83 anos calculados em 2016. Já as diferenças de gênero no local de trabalho persistirão por mais 217 anos, quando no ano passado a previsão era de 170 anos para se atingir este objetivo.

“Em 2017, não deveríamos estar constatando que a tendência de progresso a favor da igualdade se reverte”, declarou um dos autores do relatório, Saadia Zahidi. Este retrocesso se explica pelo aumento da diferença entre homens e mulheres nos quatro pilares estudados pelos especialistas. “As áreas onde as diferenças entre sexos são mais difíceis de superar são economia e saúde”, enquanto “o abismo político entre os sexos é o mais escandaloso…”.

A Islândia se manteve na liderança do ranking de igualdade de gênero, seguida por Noruega e Finlândia. Entre os países do G20, a França (11ª) ocupa a primeira posição em matéria de igualdade, seguida por Alemanha (12ª), Grã-Bretanha (15ª), Canadá (16ª) e África do Sul (19ª).

Estados Unidos aparece na posição 49ª e China em 100ª. Oriente Médio e África do Norte são as regiões onde o abismo é maior. Os últimos colocados do ranking são Iêmen, Paquistão, Síria e Chade.

*Com informações do G1

 Foto: Reprodução/Agência Brasil



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