Trabalhadores turcos utilizam etiquetas da Zara para protestar por direitos trabalhistas

Mensagens chamam os consumidores a apoiarem a campanha e pressionam a empresa de roupas a pagar os trabalhadores. A mensagem diz "Eu fiz esse produto que você vai comprar, mas eu não recebi por isso".

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Mensagens chamam os consumidores a apoiarem a campanha e pressionam a empresa de roupas a pagar os trabalhadores. A mensagem diz “Eu fiz esse produto que você vai comprar, mas eu não recebi por isso”.

Da Redação*

Os trabalhadores da rede de moda Zara, em Istambul, na Turquia, encontraram uma maneira criativa para protestar. Consumidores da loja têm achado etiquetas com mensagens, no mínimo incomuns, em suas roupas: reclamações feitas por trabalhadores, que afirmam não terem sido pagos pelas mercadorias vendidas nas lojas.

De acordo com a Associated Press, funcionários de uma fabricante terceirizada pela Zara têm deixado as etiquetas com mensagens de protesto nas roupas da marca. A etiqueta chama os consumidores a apoiarem a campanha e pressiona a Zara a pagar os trabalhadores. A mensagem diz “Eu fiz esse produto que você vai comprar, mas eu não recebi por isso”.

As etiquetas dizem ainda que os trabalhadores foram empregados pela empresa Bravo, que teria fechado as portas. Os funcionários afirmam que a fabricante deve três meses de pagamento e direitos trabalhistas. O grupo têxtil espanhol Inditex, proprietário da Zara, não se posicionou imediatamente, de acordo com a AP.

Prática antiga

Não é de hoje que a Zara é acusada de irregularidades. Em 2015, no Brasil, foi autuada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por descumprir o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado em 2011, para corrigir condições degradantes que caracterizaram trabalho escravo na cadeia produtiva da empresa, segundo informações da Agência Brasil.

Segundo a superintendência do órgão federal em São Paulo, à época, uma auditoria com 67 fornecedores da marca mostrou 433 irregularidades em todo o país, como excesso da jornada de trabalho, atraso nos pagamentos, aumento dos acidentes, trabalho infantil, além de discriminação pela exclusão de imigrantes da produção, o que pode resultar em multa de mais de R$ 25 milhões.

Em 2011, a Zara já havia foi autuada por manter 15 trabalhadores de nacionalidades bolivianos e peruanos em condição análogos à de escravo na atividade de costura. As oficinas subcontratadas pela marca receberam 52 autos de infração. Entre as irregularidades, foram constatadas jornada de trabalho excessiva, servidão por dívida e situação precária de higiene.

Na época, a empresa disse desconhecer esse tipo de exploração. Pelo TAC, assinado com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Zara deveria ter detectado e corrigido novas violações, por meio de auditoria interna, melhorando as condições gerais de trabalho na empresa.

O relatório mostra que mais de 7 mil trabalhadores foram prejudicados pelas irregularidades em fornecedoras da Zara. Entre eles, 46 empregados estavam sem registro em carteira, 23 empresas estavam em débito de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e 22 tinham jornadas excessivas, irregulares ou fraudadas.

Em maio de 2014, a Zara, inclusive, de acordo com informações do Repórter Brasil, chegou a admitir, a ocorrência de trabalho escravo na fabricação de seus produtos em 2011. Foi a primeira vez desde que uma fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 15 trabalhadores imigrantes costurando peças da marca em três oficinas terceirizadas, em maio e junho daquele ano, em Americana (SP) e São Paulo (SP).

*Com informações do UOL, Agência Brasil-EBC/Repórter Brasil

Foto: Commons

 



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