Candidato surdo teve aparelho retirado durante o Enem: “Trauma para sempre”, diz o pai

Atitude de fiscais, em Santa Bárbara D´Oeste, no interior de São Paulo, contrasta com o tema da redação, que chamou a atenção para a inclusão das pessoas com deficiência auditiva.

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Atitude de fiscais, em Santa Bárbara D´Oeste, no interior de São Paulo, contrasta com o tema da redação, que chamou a atenção para a inclusão das pessoas com deficiência auditiva.

Da Redação*

Mesmo que o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano buscasse chamar a atenção para a inclusão das pessoas com deficiência auditiva, com uma proposta sobre “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”, os fiscais de um local de prova, realizada no domingo (5), em Santa Barbara D’Oeste, em São Paulo, obrigaram um candidato de 17 anos a retirar seu aparelho auditivo durante a realização do exame.

No comprovante de inscrição do rapaz, constava que ele é surdo, mas, ainda assim, ele foi obrigado a sair da sala, passar pelo detector de metais e ficar sem o aparelho usado no ouvido direito. O pai do estudante, Lourival Francisco Ribeiro, registrou um boletim de ocorrência em uma delegacia da cidade no mesmo dia.

“Meu filho estava fazendo o Enem no domingo, quando, umas 15 horas, os fiscais pediram para ele se levantar, passar pelo detector de metais, retirar o aparelho e colocar num saquinho plástico. Não devolveram mais e ele teve que terminar a prova assim”, revela o pai, acrescentando que um episódio desse tipo nunca havia acontecido na vida escolar do filho, que estuda em colégio público. “É um trauma que ele vai levar para sempre, não vai esquecer”.

Ribeiro afirma que, de acordo com relato do filho, os fiscais da Faculdade Anhanguera, onde ele realizava o exame, acharam que o aparelho auditivo seria um ponto eletrônico para possibilitar cola.

O menino tem surdez severa nos dois ouvidos, mas, enquanto o esquerdo não dá qualquer resposta a aparelhos tradicionais, o ouvido direito é capaz de ouvir com a ajuda do dispositivo. Na época em que foi comprado, custou R$ 6,4 mil – com desconto -, lembra o pai. Mas, depois do episódio durante a prova do Enem, o aparelho não funciona mais.

“Não sei o que fizeram com ele, mas está quebrado. E, sem o aparelho, nem tem como mandar meu filho para fazer o segundo dia de prova do Enem”, lamenta Ribeiro. O pai conta que, apesar do boletim de ocorrência, não houve até o momento qualquer retorno do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia federal que organiza o Enem.

*Com informações de O Globo

Foto: Commons

 



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