Mais de 50% dos homens acima de 50 anos tem disfunção erétil

Tudo o que você sempre quis saber sobre disfunção erétil e prótese peniana, mas tinha vergonha (ou não) de perguntar, o Dr. Roberto Vaz explica em entrevista exclusiva para a Fórum, com muita clareza e objetividade. Desde questões como a sensibilidade da prótese peniana,...

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Dr. Roberto Vaz explica em entrevista exclusiva para a Fórum, com muita clareza e objetividade, tudo sobre disfunção erétil, um problema que atinge a maioria dos homens acima de 50 anos. O médico explica em detalhes, com linguagem fácil e acessível, questões como a sensibilidade da prótese peniana, seu custo, até as causas da impotência

Por Julinho Bittencourt

Tudo o que você sempre quis saber sobre disfunção erétil e prótese peniana, mas tinha vergonha (ou não) de perguntar, o Dr. Roberto Vaz explica em entrevista exclusiva para a Fórum, com muita clareza e objetividade. Desde questões como a sensibilidade da prótese peniana, seu custo, até as causas da impotência são contadas em detalhes e linguagem fácil e acessível.

O Dr Roberto Vaz Juliano é urologista, diretor da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo, membro do Instituto de Urologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, professor da Disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC – FMABC e responsável pelo grupo de Medicina Sexual e Reprodutiva.

Fórum – As estatísticas são muitas e, em alguns casos se contradizem. Qual a porcentagem, afinal, de homens com disfunção erétil hoje no Brasil?

Roberto Vaz Juliano – Nós temos um estudo brasileiro semelhante ao americano que diz o seguinte: aos 50 anos, mais da metade da população, cerca de 52% dos homens, têm alguma disfunção erétil. Destes, 10% têm uma disfunção considerada grava. Já aos 70 anos, isso aumenta paras os 70%. O envelhecimento tem muito a ver com a disfunção erétil.

Fórum – O quanto essas estatísticas são confiáveis? Há, como alguns colegas afirmam, uma quantidade grande de homens que não procura ajuda por vergonha? Este fator subnotifica esses números?

Roberto Vaz Juliano – Essa estatística é confiável, feita com acompanhamento de homens normais, sem queixa alguma. Não são homens que procuram médico. Mas, realmente ainda existem preconceitos e dificuldades, não só dos homens, mas também dos médicos. Alguns médicos esperam os pacientes falarem do assunto. A gente tem estimulado, inclusive na faculdade, que eles tomem a iniciativa, perguntem para os pacientes. Agora, felizmente, este preconceito tem diminuído. Cada vez mais homens com este problema procuram médicos.

Fórum – Quais são os causadores da disfunção erétil?

Roberto Vaz Juliano – Você deve considerar a disfunção erétil como um sintoma. Uma dor de cabeça pode ser sinusite, câncer no cérebro, enxaqueca. A disfunção erétil é igual. Pode ser, por exemplo, um problema de relacionamento. O paciente pode não se dar bem com a parceira do ponto de vista da erotização, apesar se dar bem pessoalmente. Outras vezes por cansaço ou falta de amor e daí para a frente tem o envelhecimento. E têm muitas outras causas. Um parceiro que tem enfisema pulmonar, por exemplo, ele não consegue ficar deitado. Ele não tem capacidade física para ter relações. Há outras doenças que podem provocar a disfunção, como a AIDS, cirrose, doenças hepáticas, insuficiência renal, leucemia, tuberculose entre outras.

Fórum – E a insuficiência coronária?

Roberto Vaz Juliano – A insuficiência coronariana também pode provocar a disfunção. Das pessoas que têm insuficiência coronariana, 30% delas têm dificuldade de ereção. A obesidade é outro fator de risco. E aí, tem também o cigarro, que aumenta a lesão do vaso e, com isso, aumenta as chances da pessoa ter entupimento da artéria. E, além disso, agudamente ele também provoca vasoconstrição. Você fumar um cigarro antes de ter uma relação, por exemplo, não é uma boa ideia.

Fórum – No caso do Alexandre Frota, ele pleiteou do seu plano de saúde o implante de uma prótese inflável, pois, de acordo com o seu médico, a outra, que mantém o pênis permanentemente ereto, além de provocar intercorrências, é constrangedora quando se usa, por exemplo, na praia. Quantos modelos, afinal, existem? Existe algum que seja ideal ou isto varia de acordo com o caso? Ou até com o preço?

Roberto Vaz Juliano – Existem próteses de vários tipos: as rígidas, as semirrígidas e as infláveis. Não há uma melhor ou pior. Depende de cada caso. É como se você me pedisse uma sugestão de carro e eu te dissesse: “Compre uma Ferrari”. Mas, quando chega a Ferrari você acha que o porta-malas é pequeno. É questão de adequar. Vou te dar exemplos. Têm pacientes que tomam banho em banheiro público e preferem prótese ocultável. Outros podem ter um problema na mão, uma artrose, uma dificuldade para inflar a prótese. Então, para este paciente uma prótese semi-rígida seria mais eficaz.

Fórum – E com relação aos preços?

Roberto Vaz Juliano – Realmente existe o problema do custo. A agência Nacional de Saúde não liberou a prótese inflável. Ela custa muito mais caro do que uma prótese semi-rígida. Uma semi-rígida de qualidade custa em torno de R$ 5 mil. Uma inflável vai para R$ 60 mil. Ela realmente tem um custo alto. Eu entendo a posição dos planos de saúde e da Agência Nacional, pois o custo é muito elevado mesmo. Você tem que considerar a questão financeira.

Fórum – E a sensibilidade? Um homem que tem a prótese tem a mesma sensibilidade de quando não tinha?

Roberto Vaz Juliano – Sim. A prótese só vai garantir que a pessoa tenha a rigidez suficiente para a penetração. Ela não muda a sensibilidade, nem a ejaculação e nem o desejo. Se o paciente tem uma parceria boa, uma cabeça boa, ele vai ter uma relação muito satisfatória. Se você usa uma prótese, você vai ter rigidez na hora em que você quiser. Então você vai ter relações três vezes por dia, mas você não tem vontade de ter relações três vezes por dia. Então você não vai gozar três vezes, pois não é o seu desejo. Isso pode ser uma complicação. Às vezes você quer ter, mas a parceira não vai querer ter tantas relações. Alguns pacientes se queixam que a cabeça do pênis fica um pouco mais fria, outros que diminui o pênis, mas a princípio ela não mexe em nada.

Fórum – Estamos em pleno novembro azul, campanha que é uma das prioridades da Sociedade Brasileira de Urologia. Há alguma relação entre a impotência e a prevenção às doenças urológicas, inclusive o câncer de próstata?

Roberto Vaz Juliano – Elas ocorrem paralelamente. A hiperplasia benigna da próstata, o câncer de próstata e a disfunção erétil são doenças do envelhecimento, portanto há relação. Elas acontecem paralelamente. Podem também ter relação causal. O câncer de próstata eventualmente pode ultrapassar os limites da próstata e ter comprometimento dos vasos e artérias e vir a provocar dificuldades de ereção.

Fotos: Reprodução YouTube Programa Todo Seu



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