Professora que colocava crianças em sacos de lixo é acusada de bater nos alunos com régua

Menino de 6 anos afirma que era perseguido pela docente e levava reguadas na mão, em creche de Restinga, em São Paulo.

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Menino de 6 anos afirma que era perseguido pela docente e levava reguadas na mão, em creche de Restinga, em São Paulo.

Da Redação*

Algumas mães de crianças que frequentam uma escola infantil no assentamento Boa Sorte, na zona rural de Restinga (SP), revelam que os filhos também foram vítimas da professora Silma Lopes, investigada por maus-tratos, depois de ter sido flagrada em um vídeo ao colocar alunos de 3 e 4 anos em sacos de lixo dentro da sala de aula, como forma de castigo. Uma das mães, que prefere não se identificar, afirma que a docente usava uma régua para bater nas mãos das crianças, sem motivo, e que inventava situações de mau comportamento das crianças para os pais.

De acordo com a mulher, o filho de 6 anos contou que a professora chegou a propor um passeio à turma, organizou uma fila e bateu com a régua na mão de todas as crianças que demonstraram interesse em participar da atividade, sem motivo.

“Ela perguntou a eles quem queria ir e todos levantaram a mão, dizendo que queriam. Ela pediu para eles fazerem uma fila, porque ela ia ter que bater com a régua em todos os que fossem. Bateu na mãozinha de cada um e pediu para não contarem em casa, senão não iam”, diz a mãe.

Silma Lopes foi afastada da função pela Prefeitura de Restinga, que formou uma comissão para apurar as denúncias. Também são alvos do inquérito policial e da investigação da Secretaria de Educação a professora substituta Priscilla Melo, e duas estagiárias, uma delas menor de idade. Silma deve depor nesta semana ao delegado Eduardo Bonfim. À Prefeitura, a professora negou as acusações e disse que tudo não passou de um “medinho” colocado nas crianças de forma lúdica.

Priscila Mello, que segundo o delegado, tinha conhecimento sobre os maus-tratos, mas não fez nada para proteger as crianças, negou envolvimento ao falar à Prefeitura. Ela foi afastada do cargo na quinta-feira (16). As duas serão ouvidas novamente pela comissão da Prefeitura, que, ao final dos trabalhos, poderá decidir pela exoneração das servidoras. As estagiárias foram demitidas.

A mãe do estudante da creche Leonor Mendes de Barros, no assentamento rural, diz que passou a desconfiar de que havia algo errado na unidade de ensino depois que o filho passou a oferecer resistência para frequentar as aulas. Em uma conversa após a Polícia Civil apresentar o vídeo do castigo no saco de lixo, a criança acabou contando que apanhou da professora com uma régua.

A mulher afirma ainda que Silma apagava as tarefas feitas no caderno pelo menino e marcava reuniões para reclamar do comportamento da criança. “Ele escrevia e ela apagava o caderninho dele até rasgar. Me chamava no fim do dia para falar que ele não tinha desempenho escolar nenhum. Ela fazia tudo para ter algum tipo de castigo em casa com ele. Meu filho falava em casa que a gente não conhecia quem era ela na escola”.

O menino diz que os castigos e as perseguições aconteciam sem motivo. “É porque ela é mau. Ela apagava o meu caderno e rasgava, depois chamava a minha mãe e falava que era eu. Eu não queria ir na escola. Tenho medo dela”, diz a criança.

De acordo com outra mãe que também prefere não se identificar, a régua era usada para punir alunos que não faziam as lições. “Ela punha a mão na carteira e dava reguada na mãozinha. Isso era rotineiro, era sempre que alguém fazia arte ou não fazia a lição”.

Por causa da conduta da professora, a mãe afirma que o filho passou a apresentar baixo rendimento escolar. Segundo a mulher, a criança mudou de turma, mas ela acredita que o trauma causado esteja interferindo no desempenho do filho, que tem dificuldades para acompanhar os colegas.

“Ele não conseguiu aprender nada, não conseguiu nem ser alfabetizado. Chegava na porta da escola e ele agarrava na minha perna, pedia para levar ele de volta. Hoje, ele já não tem o mesmo rendimento que as outras crianças da sala dele, dos que não estudaram aqui com ela”. De acordo com a mãe, o sentimento causado pela atitude da professora é de revolta. “A gente deixa o filho na escola, acha que está sendo bem cuidado e fica sabendo que aconteceu uma coisa dessas com o filho. É uma coisa que a gente nem faz em casa”

Novo rumo

A investigação sobre as denúncias apresentadas em setembro deste ano por três mães de alunos da creche municipal Célia Teixeira Ferracioli ganhou novo rumo na semana passada, após o delegado Eduardo Bonfim localizar os vídeos com as suspeitas sobre a professora.

As imagens foram gravadas no dia 14 de setembro pela câmera de segurança da sala, e mostram quando a estagiária coloca o garoto em pé, em cima do saco, e o segura pelos braços, enquanto a professora tenta puxar e fechá-lo. Num outro momento, uma criança deitada em um colchão parece se debater no interior do saco. Em uma das cenas, é possível ver a estagiária com a raquete e o saco nas mãos, numa forma de tentar intimidar os alunos.

Para o delegado, os castigos eram dados pela professora em um canto da sala, não alcançado pela câmera. Um dos meninos que aparece no vídeo tem 3 anos e conta que a raquete era usada com frequência na sala de aula para cobrar a disciplina da turma. “Punha dentro do saco porque a gente fazia bagunça. Era brava. Ela gritava, batia a raquete na mesa e falava silêncio”.

Pai de outro garoto de 3 anos, o produtor rural Clayton Cardoso da Silva afirma que ele e a mulher confiavam plenamente no trabalho de Silma, e que, semanalmente, presenteavam a professora com verduras e frutas produzidas por eles. Envergonhado, ele assume que chegou a castigar o filho em casa por causa das reclamações feitas pela docente sobre o suposto mau comportamento do garoto.

“Eu não imaginava que o problema vinha da escola para casa. Nós pensávamos que ela era a segunda mãe que eles têm. Ela ficava o dia inteiro com eles, porque eu e a minha esposa estávamos trabalhando. Eu quero que ela pague pelos erros, porque o que o meu filho e os filhos das outras pessoas passaram não pode acontecer”.

*Com informações do G1

Fotos: Reprodução e Câmeras de Segurança

 



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