Economista tucana detona as diretrizes do novo programa do PSDB: “Falta ousadia em tudo”

Para Elena Landau, o documento “é cheio de platitudes, um discurso velho. Como pode um partido cuja a marca é a qualidade dos seus quadros técnicos e economistas apresentar um trabalho tão fraco como esse?"

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Para Elena Landau, o documento “é cheio de platitudes, um discurso velho. Como pode um partido cuja a marca é a qualidade dos seus quadros técnicos e economistas apresentar um trabalho tão fraco como esse?”

Da Redação*

A economista Elena Landau é considerada uma das principais referências do PSDB no setor. Foi presidente do conselho da Eletrobrás e diretora de privatização do BNDES na era Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista ao Estado/Broadcast, ela fez duras críticas às diretrizes do novo programa partidário do partido apresentado nessa terça-feira, 28, em Brasília, pelo presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal.

“Quando cheguei na frase ‘nem estado mínimo, nem máximo, estado musculoso’, quase parei ali”, disse a economista. Elena disse, ainda, que os economistas ligados ao PSDB não foram consultados previamente pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV), braço de formulação política da legenda responsável por formular o documento.

Para ela, o documento “é cheio de platitudes, um discurso velho. Como pode um partido cuja a marca é a qualidade dos seus quadros técnicos e economistas apresentar um trabalho tão fraco como esse? Eu, Edmar (Bacha), Persio (Arida) acabamos de fazer um manifesto com muito mais ideias de debate para o futuro. Esse documento é uma coisa atrasada.

De acordo com Elena, “nenhum de nós, economistas do partido, sabíamos que esse documento estava sendo feito. É um documento do José Aníbal (presidente do ITV). Ponto. Não traz nenhuma novidade e proposição”.

Sobre se esperava que o PSDB fizesse um debate mais ampliado, ela respondeu: “Cansei de esperar alguma coisa. A gente esperava uma refundação, não veio. A gente espera uma posição firme sobre reforma da previdência, que é uma coisa básica de qualquer governo, não veio.

Na final, a economista fulmina: “Falta ousadia em tudo. Essa questão de ‘estado que queremos’ está ultrapassada. É o estado que podemos. Para fazer um documento, precisa de uma coisa mais forte. Era melhor não ter feito nada”.

*Leia a entrevista completa no Estadão

Foto: Eletropaulo



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