Cineasta afirma que o audiovisual é o segmento mais racista da cultura brasileira

Joel Zito Araújo cita levantamento de 2015: 400 cineastas conseguiram à época colocar um filme nas salas de cinema, dos quais apenas nove eram negros.

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Joel Zito Araújo cita levantamento de 2015: 400 cineastas conseguiram à época colocar um filme nas salas de cinema, dos quais apenas nove eram negros.

 Da Redação*

O cineasta e pesquisador Joel Zito Araújo afirma que o setor do audiovisual é o segmento da sociedade brasileira no qual o racismo e a desigualdade racial são mais profundos. Ele destaca que a baixa representatividade da população negra está presente também por trás das telas. “Há dois anos, eu fiz um levantamento do número de cineastas que tinham conseguido colocar um filme nas salas de cinema, e constatei que o número de cineastas que estão em atividade hoje e têm essa conquista está em torno de 400 pessoas. Já o número de cineastas negros que tinha alcançado tal façanha ficou em nove, nenhuma mulher”, conta Araújo, em entrevista à Radioagência Brasil de Fato.

O audiovisual não é o único setor da mídia brasileira em que a desigualdade racial se manifesta. Na imprensa, também se pode observar exemplos. Recentemente houve os episódios ocorridos com o âncora do Jornal da Globo, William Waack, que proferiu comentários racistas quando se preparava para entrar no ar numa gravação em 2016, e com o presidente da Empresa Brasil de Comunicação, a EBC, Laerte Rimoli, que compartilhou em suas redes sociais imagens ironizando a declaração da atriz Taís Araújo sobre o racismo sofrido pelo seu filho.

Isabela Vieira é jornalista da EBC e integrante da Comissão pela Igualdade Racial do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, a Cojira-RJ. Ela aponta que o racismo se manifesta de várias formas no Jornalismo, desde a negligência com as pautas de interesse da população negra, até a estrutura das redações, que, em sua maioria, são dirigidas por homens e brancos.

“Precisa investir em meios de comunicação alternativos, livres e comunitários, que acabam empregando, de uma maneira ou de outra, profissionais negros, não só jornalistas, mas comunicadores, dando voz direta a essas pessoas para que elas possam pautar o debate que é de interesse da população, sobretudo a negra, na esfera pública. Eu observo também, que de uma maneira geral, o racismo ainda se reflete na estrutura das empresas”, afirma.

*Com informações do Brasil de Fato

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil



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