Bancada do PT vai tentar sustar ação arbitrária da PF na UFMG

Parlamentares do partido na Câmara e no Senado lançaram nota repudiando a operação da Polícia Federal, que conduziu coercitivamente o atual reitor e ex-reitores da Universidade Federal de Minas Gerais.

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Parlamentares do partido na Câmara e no Senado lançaram nota repudiando a operação da Polícia Federal, que conduziu coercitivamente o atual reitor e ex-reitores da Universidade Federal de Minas Gerais.

Da Redação*

As bancadas do PT na Câmara dos Deputados e no Senado lançaram uma nota repudiando a operação da Polícia Federal, que conduziu coercitivamente o atual reitor e ex-reitores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A operação apura suspeitas de desvios de recursos na universidade federal mineira, utilizados na construção do Memorial da Anistia, financiado pelo Ministério da Justiça e executado pela UFMG.

De acordo com informações divulgadas pela PF, teriam sido gastos mais de R$ 19 milhões na construção e pesquisas de conteúdo para a exposição, mas o único produto aparente é um dos prédios anexos – ainda inacabado. “Do total repassado à UFMG, quase R$ 4 milhões teriam sido desviados por meio de fraudes em pagamentos realizados pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) – contratada para pesquisas de conteúdo e produção de material para a exposição de longa duração”, informou a PF.

Em nota, as bancadas do PT ressaltaram que o martírio do ex-reitor da UFSC, Luis Carlos Cancellier, que se suicidou após ter sofrido uma prisão abusiva, por uma investigação inconclusiva, não bastou para conter o arbítrio no Brasil. O partido tentará sustar a nova ação da PF em Minas.
Veja a nota da bancada do PT:

A operação da Polícia Federal que na manhã desta quarta (06) conduziu coercitivamente os atuais reitores e os ex-reitores da UFMG é uma prova de que a onda de arbitrariedade e exibicionismo no país está longe de acabar. Demonstra-se que o martírio do ex-reitor da UFSC, Luis Carlos Cancellier, não foi o suficiente para constranger aqueles e aquelas que hoje entendem ter o direito de utilizar prerrogativas legais para produzir perseguições de cunho político e pessoal.

Não há qualquer justificativa para a forma como a operação se deu. Não há qualquer justificativa para conduzir coercitivamente dirigentes universitários, cidadãos e cidadãs conhecidas publicamente, com endereço estabelecido, cumprindo suas funções e que, a qualquer momento, estariam à disposição da Polícia Federal para prestar as explicações que fossem necessárias. A banalização das conduções coercitivas visa apenas o espetáculo, a autopromoção de agentes públicos mais acostumados aos holofotes do que à prática de suas funções.

Temos explícito mais um episódio de uma ofensiva contra as conquistas progressistas dos últimos anos, desta vez dirigida contra a Educação brasileira e seu propósito de democratizar e libertar. Não por coincidência, o gesto de violência da Polícia Federal voltou-se contra o Memorial da Anistia, ação da UFMG que busca promover o resgate da verdade reprimida pela Ditadura Militar brasileira, contribuindo para restabelecer no Brasil o tão elementar direito à memória.

Somamo-nos à indignação já manifestada pela direção da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais, conclamando a sociedade para defender a instituição dessa caçada brutal, sustar a operação e punir disciplinarmente os responsáveis, em particular aqueles que autorizaram tamanha arbitrariedade.

Brasília, 6 de dezembro de 2017

Dep. Margarida Salomão (PT-MG) – Presidenta da Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Federais
Dep. Carlos Zaratini (PT-SP) – Líder do PT na Câmara
Dep. Raimundo Angelim (PT-AC) – coordenador do núcleo de educação do PT na Câmara
Senador Lindbergh Farias (PT-RJ) – Líder do PT no Senado
Senadora Fátima Bezerra (PT-RN) – coordenadora do núcleo de educação do Senado Federal

*Com informações do Brasil 247

Foto: Reprodução/TV Globo

 



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