MP aponta que secretário de São Bernardo cobrava propina para anular multas e dar licença ambiental

Mário Henrique de Abreu foi exonerado da administração tucana depois de denúncia de corrupção. Outras seis pessoas também deixaram o cargo. Todos negam as acusações.

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Mário Henrique de Abreu foi exonerado da administração tucana depois de denúncia de corrupção. Outras seis pessoas também deixaram o cargo. Todos negam as acusações.

Da Redação*

Uma denúncia do Ministério Público aponta que, além da venda de cargos na Secretaria de Gestão Ambiental de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, cidade administrada pelo prefeito Orlando Morando (PSDB), a quadrilha que ali atuava negociava liberação de multa, licença ambiental, corte de árvores e até a madeira cortada. Segundo o MP, quem comandava o esquema era o secretário Mário Henrique de Abreu, que foi exonerado depois da denúncia de corrupção.

Mais da metade do território do município de São Bernardo do Campo está em uma área de manancial protegida por lei. Em alguns lugares é totalmente proibido construir. Em outros, é preciso seguir regras rígidas. A Secretaria de Gestão Ambiental deveria cuidar, manter e proteger esse patrimônio, mas, segundo o Ministério Público, uma quadrilha se instalou lá e descobriu que esse tesouro ecológico poderia render muito dinheiro.

As investigações revelaram que os integrantes da organização criminosa cobram: anular multas que nem deveriam ter sido aplicadas; liberar licenças ambientai; autorizar o corte de árvores. A investigação descobriu que o grupo ainda vendia parte da madeira das árvores cortadas.

O Ministério Público denunciou sete pessoas:  Mário Henrique de Abreu – secretário municipal de Gestão Ambiental – apontado como chefe do esquema; Sérgio de Souza Lima – diretor de licenciamento ambiental; Tiago Alves Martinez – chefe de fiscalização; Izaias Antonio de Araújo – servidor público que identificava locais onde seria possível cobrar propina; Simone Cristina de Lima Brito – irmã de Sérgio de Souza e secretária de um escritório de arquitetura da cidade; João Antônio Cambaúva – consultor imobiliário; André Luiz Poletti – que vendia a madeira cortada.

“Atualmente existe a denúncia relacionada a organização criminosa, corrupção passiva, concussão, são os principais delitos aos quais foram denunciados”, diz o promotor Bruno Servello Ribeiro. Em uma escuta telefônica autorizada pela Justiça, Poletti ouviu uma reclamação do diretor de licenciamento sobre o então secretário. Sérgio se queixa que Mário acha que “todo mundo passa ele pra trás” e diz que precisa encerrar o mais rápido possível o processo de liberação de um terreno. Poletti concorda: “Tá bom”. E Sérgio conclui: “Só que o pagamento vai ser pra mim e eu quero levar junto com você pro Mario”.

*Com informações do G1

Foto: Reprodução/GloboNews



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