Breno Altman: Por que o povo não vai à luta?

“Porque a orientação conduzida pelo PT e a maioria da esquerda, desde 2002, na qual era desprezada a preparação do povo para o inevitável confronto contra as classes dominantes e seus partidos, deixou as...

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“Porque a orientação conduzida pelo PT e a maioria da esquerda, desde 2002, na qual era desprezada a preparação do povo para o inevitável confronto contra as classes dominantes e seus partidos, deixou as massas desarvoradas diante do golpe, com baixa compreensão de seu significado e confusas sobre o que fazer, um estado de animo que somente de forma paulatina e vagarosa vai sendo superado”. Leia mais no artigo do jornalista Breno Altman

Por Breno Altman

Porque o PT e a esquerda brasileira ensinaram, com sucesso, nos últimos 15 anos, que o centro da luta de classes é eleitoral. A poucos meses da sucessão presidencial, o povo guarda suas fichas para essa disputa, na qual Lula aparece como a alternativa popular contra o governo usurpador e sua agenda.

Porque ainda não cicatrizou a ruptura da confiança popular provocada pelo giro à direita no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, aproveitado pelas forças conservadoras para disseminar a ideia de estelionato eleitoral e fragilizar a influência do PT junto às massas.

Porque a política de mudança pelo alto, sem recurso predominante à mobilização social, estimulou os fatores de burocratização do movimento sindical e popular, dos quais apenas lentamente a vanguarda da classe trabalhadora vai conseguindo se livrar.

Porque o PT e todos os demais partidos de esquerda com representação parlamentar se transformaram em máquinas eleitorais, grandes ou pequenas, com baixa intensidade de atuação na educação, mobilização e organização do povo.

Porque os ataques à democracia, vertebrados por setores do MPF, da PF e do Poder Judiciário, sob o comando da mídia monopolista, em curso desde 2005, sem resposta à altura dos governos petistas e do campo popular, desgastaram profundamente o universo da política, especialmente o da política de esquerda, reforçando a cultura da passividade que sempre predominou em nosso país.

Porque a crise econômica e o desemprego, ao mesmo tempo em que são razões de ódio ao governo usurpador, também são indutores de insegurança e temor entre as massas, que não percebem a existência de um comando político sob o qual valha a pena colocar tudo em risco para se entregar à luta e à rebelião.

Porque a orientação conduzida pelo PT e a maioria da esquerda, desde 2002, na qual era desprezada a preparação do povo para o inevitável confronto contra as classes dominantes e seus partidos, deixou as massas desarvoradas diante do golpe, com baixa compreensão de seu significado e confusas sobre o que fazer, um estado de animo que somente de forma paulatina e vagarosa vai sendo superado.

Porque um setor da esquerda, supostamente à esquerda do PT, fincou estacas em uma política marcadamente antipetista, auxiliando o trabalho de sapa da direita e dividindo o campo popular tanto antes quanto depois do golpe.

Esses são alguns dos porquês, mas outros devem existir…



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