Líder comunitário denunciou ter sido espancado por bombeiros uma semana antes de morrer

O caso aconteceu em Madureira, no Rio de Janeiro. Segundo o seu relato, oito bombeiros o espancaram, pegaram a sua carteira e lhe deram chutes e socos. Depois disso, por telefone, um homem teria...

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O caso aconteceu em Madureira, no Rio de Janeiro. Segundo o seu relato, oito bombeiros o espancaram, pegaram a sua carteira e lhe deram chutes e socos. Depois disso, por telefone, um homem teria afirmado que Jefferson deveria “parar de ir à delegacia e cancelar o registro, senão poderia perder a vida”

Da Redação*

O presidente da Associação de Moradores de Madureira, Jefferson Marcelo Nascimento de Oliveira, de 41 anos, denunciou à Polícia Civil, uma semana antes de ser morto por enforcamento, que foi espancado por bombeiros dentro de um quartel da corporação.

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De acordo com o depoimento que prestou na 28ª DP (Campinho), Jefferson foi, no dia 24 de dezembro, ao quartel do bairro para comunicar a queda de árvores na Praça Patriarca, em Madureira. Na ocasião, ainda segundo o relato de Jefferson, “oito bombeiros o levaram para dentro do quartel e começaram a lhe dar chutes, socos e diziam que o depoente estava bêbado; em seguida amarraram as mãos do depoente e as suas pernas, pegaram a sua carteira, filmavam-no, pegaram o seu telefone, apagando as ligações que havia feito”.

Jefferson ainda afirmou que teve R$ 280 roubados pelos militares. Após as agressões, o líder comunitário deu entrada na UPA de Campinho. A denúncia foi feita no dia 25 de dezembro. No último dia 2, Jefferson foi encontrado morto na Rua Sanatório, em Madureira. Na madrugada do dia 30, segundo amigos, ele foi sequestrado na Praça Patriarca e passou três dias desaparecido.

Antes da denúncia sobre o espancamento, o líder comunitário já havia procurado a Polícia Civil para denunciar a atividade de milicianos na Praça Patriarca — onde trabalhava com brinquedos infantis. Em dois depoimentos prestados nos dias 17 e 18 de dezembro na 29ª DP (Madureira), Jefferson afirmou que uma quadrilha cobra R$ 20 por semana de barraqueiros da praça. Segundo ele, quem não paga, tem sua barraca retirada do local. No segundo depoimento, ele afirmou que foi procurado após fazer as denúncias: por telefone, um homem teria afirmado que Jefferson deveria “parar de ir à delegacia e cancelar o registro, senão poderia perder a vida”. Ao final do depoimento, Jefferson afirmou que temia por sua vida.

De acordo com amigos e parentes do líder comunitário, ele foi visto pela última vez na madrugada do dia 30 de dezembro na Praça Patriarca. A partir da 1h30, ele parou de responder mensagens de amigos no WhatsApp. Três dias depois, Jefferson foi encontrado com sinais de enforcamento.

Cerca de 100 pessoas acompanharam o enterro do Jefferson, na tarde desta quinta-feira, no cemitério de Irajá. Durante o enterro, frequentadores do terreiro de candomblé em que Jefferson foi iniciado fizeram homenagens. O presidente do Conselho Comunitário da região, Alex Brisola, pede que quem tiver informações sobre o crime procure a Polícia Civil. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios (DH).

— Não há testemunhas do momento exato em que o Jefferson foi sequestrado. Mas sabemos que ele vinha sendo ameaçado. Se alguém viu ele sendo abordado, por favor, procure as autoridades — afirma Brisola.

*Com informações do Extra

Foto: Reprodução



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