Promessa de ano novo de Zuckerberg é combater fake news; Sergio Amadeu teme censura

Para o cyberativista Sérgio Amadeus, não serão os Marinho e sua longa trajetória de manipulações, mentiras e omissões (tão prejudiciais para a democracia como as fake news) que serão vigiados pela força tarefa pró-verdade, mas sim os movimentos sociais

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Para o cyberativista Sérgio Amadeus, não serão os Marinho e sua longa trajetória de manipulações, mentiras e omissões (tão prejudiciais para a democracia como as fake news) que serão vigiados pela força tarefa pró-verdade, mas sim os movimentos sociais

Da Redação*

A promessa de ano novo de Mark Zuckerberg, co-fundador e diretor-executivo do Facebook, é corrigir erros relacionados à rede social e proteger os usuários de discursos de ódio. Os erros a que ele se refere são as chamadas fake news.

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“O mundo se sente ansioso e dividido, e o Facebook tem muito trabalho pela frente, seja na proteção da nossa comunidade contra abusos e ódio, na defesa contra a interferência de Estados-Nação ou assegurando que o tempo gasto no Facebook seja um tempo bem aproveitado. Meu desafio pessoal para 2018 é focar na solução desses problemas importantes”, escreveu Zuckerberg em sua conta no Fecebook.

Esta é a primeira vez que Zuckerberg faz uma promessa de ano novo que não seja pessoal. Até então, ele havia se comprometido a usar gravata todos os dias do ano, ler um livro a cada duas semanas entre outras.

Entre a aparente boa vontade do jovem bilionário e a voz das redes, no entanto, há uma miríade de tons.

Nem tanto por coincidência, o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou na quarta-feira (3), em Paris, a adoção de um pacote de medidas para frear a disseminação de notícias falsas nas redes sociais em períodos de campanha eleitoral. A França pretende obrigar plataformas como o Facebook a informar o nome de todos os que patrocinem ou impulsionem financeiramente conteúdos políticos durante períodos de campanha.

O anúncio ocorre no momento em que a Rússia é acusada de interferir em disputas de diversos países – incluindo as eleições presidenciais de 2016 nos EUA e de 2017 na própria França. As informações falsas são produzidas tanto fora quanto nos próprios países.

Vozes dissonantes

No Brasil, o tema está prestes a ser regulado. O Tribunal Superior Eleitoral organizou um comitê específico para definir procedimentos, regras e punições para quem produzir e divulgar fake news em 2018, ano de eleições presidenciais. Integrantes do tribunal, advogados, pesquisadores, membros das Forças Armadas e representantes de empresas, como Google e Facebook, participam dos debates. O ponto mais delicado da discussão, assim como em outros países, é fazer a regulação sem comprometer a liberdade de expressão.

O sociólogo, ativista do software livre e pesquisador da cibercultura, Sérgio Amadeu da Silveira, aponta que “não podemos aceitar que a Polícia Federal, a ABIN e o Exército patrulhem as redes em busca das chamadas fake news. Essa é a nova moda das Fundações norte-americanas para conter o discurso antineoliberal, o discurso diferente e, em geral, mais radical”.

Para Amadeu, “obviamente não podemos concordar que para vencer uma eleição vale tudo. Um poder constituído por uma maioria baseado em mentiras não poderá sustentar uma prática política transparente e democrática, muito menos justa. Todavia, não serão os Marinho e sua longa trajetória de manipulações, mentiras e omissões (tão prejudiciais para a democracia como as fake news) que serão vigiados pela PF e pela força tarefa pró-verdade. Serão os movimentos sociais, os ativistas, os ambientalistas, os defensores da diversidade. Além disso, sabemos que as redes sociais pretendem aprofundar o seu controle algorítmico das opiniões. Isso é perigoso para as liberdades fundamentais que constituem a chamada democracia”, alerta.

Outros especialistas também criticaram as resoluções para 2018 do co-fundador do Facebook. Para eles, Zuckerberg apresenta como propósito pessoal algo que deveria ser sua obrigação como CEO. “A resolução pessoal de 2018 de Zuckerberg é fazer o trabalho que já deveria estar fazendo como CEO do Facebook”, escreveu a analista de tecnologia Maya Kossoff.

Até a deputada de extrema direita Marine Le Pen, do partido ultranacionalista Frente Nacional, criticou Macron em tempo real pelo Twitter. Marine, que foi derrotada por Macron no segundo turno da eleição presidencial francesa, em maio de 2017, perguntou: “Quem vai decidir se uma determinada informação é falsa ou verdadeira? O governo?” E depois desafiou: “A França continua sendo uma democracia se ela põe mordaça em seus cidadãos?”.

*Com informações da BBC Brasil e do Nexo Jornal

Foto: Divulgação

 



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