Agência S&P rebaixa nota de crédito do Brasil. Mercado aguarda novos rebaixamentos

O atraso nas reformas e as incertezas sobre a eleição presidencial deste ano estão entre os principais fatores que pesaram na decisão Da Redação*...

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O atraso nas reformas e as incertezas sobre a eleição presidencial deste ano estão entre os principais fatores que pesaram na decisão

Da Redação*

A nota de crédito da dívida do Brasil foi rebaixada de “BB” para “BB-” pela agência de avaliação de risco Standard & Poor’s. O país está agora três degraus abaixo do grau de investimento (concedido a países que são considerados bons pagadores). É o primeiro rebaixamento por uma agência no governo do presidente Michel Temer.

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O atraso nas reformas e as incertezas sobre a eleição presidencial deste ano estão entre os principais fatores que pesaram na decisão da S&P.

“O enfraquecimento da nossa avaliação sobre o Brasil reflete um progresso mais lento que o esperado e o fraco apoio da classe política do país para implementar uma legislação significativa para corrigir em tempo hábil a piora fiscal”, afirma.

Ela cita como exemplo a aprovação da reforma da Previdência, que está parada no Congresso desde maio de 2017, quando estourou a crise da delação da JBS, envolvendo Temer.

Para a agência, apesar das promessas de que as mudanças serão votadas neste ano, a série de adiamentos para colocar a proposta em vigor mostra que o governo tem um apoio político fraco no Congresso para resolver a questão fiscal.

O rebaixamento da nota brasileira já era esperado pelo mercado e pode gerar efeito cascata. Segundo especialistas ouvidos pela Folha no início janeiro, a Standard & Poor’s seria a primeira a tomar a decisão, com as agências Moody’s e Fitch acompanhando o movimento na sequência.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, afirmou que o rebaixamento “estava no horizonte como uma possibilidade”. “Creio ser um alerta sobre as consequências econômicas e sociais que a não aprovação da Previdência trará”, disse.

“Vamos ver [se o rebaixamento dará força à reforma da Previdência]. A tentativa do governo de transferir a responsabilidade para o Parlamento não ajuda e não é correto. Precisamos unir esforços”, afirmou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“O Brasil precisa de muitas reformas e, de fato, a previdenciária é a mais importante. O governo enfraqueceu muito após as denúncias.”

Novos rebaixamentos

O mercado já espera novos rebaixamentos do Brasil. A economista Monica de Bolle também acha que o rebaixamento da nota do Brasil é consequência da falta de atenção do governo para a situação fiscal do País no curto prazo. Para ela, as ações do governo acabaram deteriorando ainda mais as contas públicas.

“A operação ‘Salva Temer’ (para que os parlamentares barrassem as investigações) levou a uma piora considerável da situação fiscal de curto prazo”, destaca.

“A situação fiscal do Brasil simplesmente não teve nenhuma melhora (desde que Temer assumiu). Teve até uma piora. Tendo em vista que veio da S&P, a agência com avaliação mais técnica, essa é uma avaliação bastante negativa da equipe econômica que todo mundo esperava que fizesse tanto pelas contas públicas.”

*Com informações da Folha e do Estadão

Foto: Wikipedia/B64



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