Quilombo

por Dennis de Oliveira

04 de maio de 2011, 15h48

27 anos depois, o retorno de Goldstein

A obra de George Orwell, 1984, causou furor quando foi lançada. Nela, uma sociedade distópica era governada por um sistema autoritário extremamente eficiente pelo Grande Irmão (o “Big Brother”) utilizando-se de técnicas de disseminação do pânico, controle absoluto do cotidiano, entre outros.

A sustentação desta sociedade autoritária dava-se pela disseminação do medo, personificado no inimigo público Emmanuel Goldstein. No filme baseado na obra, a aparição de Goldstein gera uma verdadeira histeria coletiva, seguido da aparição da imagem confortadora do Big Brother.

Da distopia de 1984 para a realidade de 2011: o governo americano anuncia ter matado o inimigo público da democracia estadunidense, Osama Bin Laden. Como Goldstein, Bin Laden aparece eventualmente em imagens gravadas com ameaças pontuais ao império norte-americano. Como a distopia orwelliana, Bin Laden é uma criação do próprio império, é o medo necessário para se manter o autoritarismo. Documentos comprovam a ligação da família Bush com Bin Laden (clique aqui para ver).

Também da mesma forma que o mundo do Big Brother, o pânico ao inimigo público justifica o desrespeito aos direitos humanos. O diretor da CIA, Leon Paneta, admitiu ter torturado, por meio do afogamento simulado, prisioneiros para que estes dessem a informação do paradeiro de Bin Laden (leia mais clicando aqui).

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Medo e conforto dado por um Estado violento. Criação de mitos positivos e negativos par justificar o autoritarismo. O resultado é semelhante ao mundo de Orwell: a popularidade do presidente dos EUA subiu nove pontos percentuais após o anúncio da morte de Bin Laden. Apesar dos graves problemas sociais, econômicos e políticos dos Estados Unidos. Se o Big Brother, no romance de Orwell, tinha as feições parecidas com a de Stálin, a sua prática está mais próxima do Tio Sam. E o termo virou título de um programa da indústria televisiva em todo o mundo capitalista.

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