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25 de julho de 2016, 18h11

Atos de ‘governo golpista’ provocarão explosões sociais na América Latina, diz Dilma a jornal mexicano

“Esses processos golpistas podem trazer consequências imprevisíveis. Lamentavelmente o preço a pagar será muito alto”, afirmou a presidenta Por Opera Mundi Em entrevista concedida ao jornal mexicano La Jornada, a presidenta brasileira afastada Dilma Rousseff questionou a política exterior do governo interino comandado por Michel Temer e ressaltou a disposição da atual gestão de se alinhar com os Estados Unidos. “Considero importante estudar as raízes desta nova forma de golpe que ocorre na América Latina. O primeiro que vemos é o comportamento das elites formando alianças amplas para derrubar os governos populares a fim de impedir que continuem com seus...

“Esses processos golpistas podem trazer consequências imprevisíveis. Lamentavelmente o preço a pagar será muito alto”, afirmou a presidenta

Por Opera Mundi

Em entrevista concedida ao jornal mexicano La Jornada, a presidenta brasileira afastada Dilma Rousseff questionou a política exterior do governo interino comandado por Michel Temer e ressaltou a disposição da atual gestão de se alinhar com os Estados Unidos.

“Considero importante estudar as raízes desta nova forma de golpe que ocorre na América Latina. O primeiro que vemos é o comportamento das elites formando alianças amplas para derrubar os governos populares a fim de impedir que continuem com seus programas sociais e de impulso ao desenvolvimento”, disse a mandataria ao jornalista Dário Pignoti, em texto publicado neste domingo (24/07) pelo diário.

A chefe de Estado afastada ressaltou que o padrão de golpe aplicado a governos progressistas na região mudou e já não se assemelha ao que ocorreu nos anos 1960-70 e que contou com o apoio dos militares.

Questionada se poderia imaginar que após o golpe parlamentar que destituiu o ex-presidente Fernando Lugo em 2012 ela seria a próxima vítima desse tipo de ação, Dilma foi taxativa: “jamais imaginei. Não acreditava que no Brasil a cláusula democrática estabelecida dentro do Mercosul e da Unasul seria violada”.

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Para Dilma, “esses processos golpistas podem trazer consequências imprevisíveis” e pontua que “quem está apostando nesses golpes na América Latina corre o risco de causar uma desestabilização profunda” e não descarta o risco de uma explosão social na região: “esses processos golpistas podem trazer consequências imprevisíveis. E parece que nem os próprios golpistas sabem o que poderá ser desencadeado no futuro. Lamentavelmente o preço a pagar será muito alto”.

“Você pode esconder as coisas, mas no fim um golpe é um golpe. Ninguém pode acreditar que alguém dê um golpe e tudo siga como estava”, ressaltou.

EUA

Questionada sobre uma possível participação dos Estados Unidos no processo de impeachment, ela considera que “nesses golpes não existem essas interferências externas tão claras como nos golpes militares. Agora são as próprias forças internas as grandes responsáveis. As elites dos nossos países não precisam dos Estados Unidos”.

Terrorismo

Sobre o suposto grupo terrorista que estaria planejando uma ação para os jogos olímpicos no Rio de Janeiro, Dilma ressalta: “não creio que o Brasil seja objeto de um ataque terrorista, mas é preciso ter cautela, não podemos descartar as ameaças, então é preciso que haja controles porque vimos o que ocorreu em Paris em Nice, por exemplo”.

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Protestos

A mandatária lamentou as declarações do ministro interino da Justiça [Alexandre de Moraes], segundo quem as manifestações convocadas por grupos contrários ao impeachment se assemelham a uma guerrilha urbana: “é típico dos processos golpistas querer calar as manifestações”, enfatizou.

Foto de Capa: Roberto Stuckert Filho/PR

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