22 de junho de 2018, 21h50

A análise de Lula sobre Brasil 2 x 0 Costa Rica: “É preciso mostrar mais futebol”

Ex-presidente segue enviando seus comentários sobre a Copa do Mundo ao programa 'Papo com Zé Trajano', da TVT. Confira

Foto: Mauro Donato

Lula, preso há mais de dois meses em Curitiba (PR), é o mais novo comentarista da Copa do Mundo. Desde o primeiro jogo do Brasil que o ex-presidente envia suas análises para serem lidas no programa ‘Papo com Zé Trajano’, que vai ao ar pela TVT e pela Rádio Brasil Atual.

No comentário desta sexta-feira (22) sobre Brasil 2 x 0 Costa Rica, Lula se mostrou pouco satisfeito com o resultado e cobrou “mais futebol” da Seleção Brasileira.

Confira a íntegra de sua análise.

Meus amigos e minhas amigas,

Vocês se lembram que, depois da estreia da Seleção contra a Suíça, chamei a atenção para a possibilidade do pequeno Davi vencer o gigante Golias. E quase aconteceu no jogo do Brasil contra a Costa Rica.

Se a partida tivesse terminado no tempo normal, seria um empate. Graças à cera da Costa Rica, o Brasil fez seus dois gols na prorrogação.

Certamente, os brasileiros que ficaram irritados com a cera dos adversários estão agora felizes, porque ganhamos 8 minutos a mais para decidir o jogo; e os torcedores da Costa Rica ficaram muito chateados por terem perdido nesses 8 minutos. Isso se chama futebol.

Temos de reconhecer que o Brasil outra vez não jogou bem, e o Tite sabe disso. Não jogou bem porque o adversário não deixou e será assim em todos os jogos. Ninguém quer perder para o Brasil.

Por isso, o jogo coletivo e a criatividade dos nossos jogadores tem de prevalecer. Tivemos quase 70% de posse de bola no tempo normal, mas só marcamos na prorrogação.

Muitos comentaristas brasileiros oscilam entre a arrogância de afirmar que somos os melhores do mundo, para depois cair na depressão de dizer que não somos de nada.

Lembro da Copa de 2014. A Seleção Brasileira era o máximo no começo da Copa e terminou humilhada pela Seleção da Alemanha, que passou a ser tratada como se fosse a maior maravilha do mundo.

A verdade é que em 2014 o Brasil não foi bem desde o início, não fez nenhum jogo bom. Ganhamos ou empatamos sempre raspando.

Agora é a mesma coisa. Ainda não jogamos bem e o papel dos adversários é esse mesmo: não deixar o Brasil jogar.

Se quisermos ser campeões do mundo, temos de apresentar um futebol superior ao que mostramos nos dois primeiros jogos.

A responsabilidade é grande, e a emoção também.

A cena do Neymar chorando é a demonstração do estado psicológico de um jogador que carrega nas costas a responsabilidade de ser o melhor do time. Não pode continuar assim.

O Neymar não é obrigado a bater todas as faltas nem todos os escanteios. Na minha opinião, ele tem de ficar perto da área do adversário para pegar os rebotes.

E faltas, só aquelas com possibilidade de cruzar na área. Para bater faltas temos outros. O Phelipe Coutinho é especialista.

Toque final:
Podemos até ter menos tempo de bola nos próximos jogos, mas precisamos acertar o gol. Aí, as vitórias virão.

Um abraço do Lula